O crescimento das plataformas de apostas on-line tem ampliado o número de pessoas com dificuldade para controlar o hábito de apostar, levando especialistas a reforçarem o alerta para a ludopatia, transtorno mental reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Caracterizada pelo desejo incontrolável de apostar, a condição pode comprometer a vida financeira, profissional, familiar e emocional dos pacientes.
Segundo a psicóloga da Hapvida, Juscimária Bezerra, a ludopatia ocorre quando a pessoa perde a capacidade de controlar o comportamento relacionado aos jogos de azar, mesmo diante de prejuízos evidentes.
“A ludopatia é um transtorno caracterizado pela perda de controle sobre jogos e apostas, capaz de provocar prejuízos nas esferas social, financeira e familiar. Reconhecida como um problema de saúde pública, a condição médica tem impactado um número crescente de pessoas, com reflexos importantes na saúde mental e na qualidade de vida dos indivíduos afetados”, explica.
De acordo com a especialista, o principal fator que diferencia uma aposta realizada como forma de entretenimento de um quadro de dependência é justamente a perda do controle sobre a prática.
“A diferenciação vai ser a falta de controle. O jogo para lazer acontece quando a pessoa consegue estabelecer limites e parar quando deseja. O transtorno se configura quando esse limite deixa de existir e ela não consegue mais interromper as apostas”, afirma.
Entre os sinais de alerta, Juscimária destaca mudanças de comportamento que podem ser percebidas por familiares e pessoas próximas. Mentiras frequentes para esconder as apostas, aumento da ansiedade, estresse, irritabilidade e episódios de agressividade estão entre os principais indícios de que o comportamento pode ter evoluído para um quadro de dependência.
“Podemos estar atentos às pessoas ao nosso redor. Alguns sintomas costumam aparecer, como excesso de mentiras, aumento da ansiedade e do estresse. Alguns pacientes ficam, inclusive, mais agressivos”, alerta.
Apesar dos impactos causados pela ludopatia, a psicóloga ressalta que o transtorno possui tratamento e que o diagnóstico precoce pode contribuir para melhores resultados.
“Ter uma rede de apoio é o primeiro passo. Depois disso, é fundamental buscar tratamento especializado, principalmente com psicólogos. A terapia trabalha a reestruturação dos pensamentos relacionados ao jogo e, nos casos em que há sintomas de ansiedade ou depressão, o acompanhamento deve ser multidisciplinar, muitas vezes contando também com o apoio da psiquiatria”, conclui.

