A Justiça de Mogi das Cruzes concedeu liberdade provisória ao médico Mituro Hattori Júnior, de 52 anos, que era investigado sob suspeita de atear fogo na esposa. A soltura ocorreu neste sábado (29) após a mulher, de 42 anos, alterar seu depoimento inicial, afirmando ter causado as próprias queimaduras durante um episódio de confusão mental.
A decisão judicial revogou a prisão preventiva que havia sido decretada contra o médico, bem como as medidas protetivas que estavam em vigor. A defesa de Mituro Hattori Júnior declarou que buscará demonstrar a inocência do seu cliente na audiência marcada para o dia 24 de novembro.
Reversão da Prisão Preventiva e Medidas Protetivas
A revogação da prisão e das medidas protetivas foi determinada pela 3ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes. A decisão considerou um pedido apresentado pela própria mulher e a inclusão no processo de um vídeo no qual ela se retrata sobre as acusações iniciais. O alvará de soltura foi expedido, e o médico foi imediatamente colocado em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares diversas da prisão.
A Nova Versão dos Fatos Apresentada pela Vítima
Em seu novo depoimento, prestado na quinta-feira (27), a esposa do médico afirmou que as queimaduras em seu corpo foram auto-infligidas. Ela alegou ter ateado fogo em si mesma durante um período de confusão mental. Anteriormente, a mulher já havia declarado em cartório que as lesões foram resultado de um acidente doméstico, contradizendo a versão inicial de agressão.
O Relato Inicial e o Início da Investigação Policial
O incidente que levou à prisão do médico ocorreu em 9 de agosto. Na ocasião, uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) encontrou a mulher com queimaduras pelo corpo, saindo de um condomínio na Rua Benjamin Rodrigues Pereira, no Parque Monte Líbano. Guardas foram alertados por um homem que relatou uma discussão entre o casal no local.
Inicialmente, a mulher relatou à polícia que, após uma discussão por celular, o marido teria jogado álcool em seu corpo e ateado fogo. No entanto, ao ser informada de que o marido seria levado à delegacia, ela expressou que não queria registrar a ocorrência para evitar sua prisão. O médico, por sua vez, declarou à polícia que o relacionamento do casal era conturbado há cerca de três anos e que, no dia do ocorrido, foi acordado pela esposa por volta das 3h da manhã, que reclamava por ele ter esquecido seu aniversário e não ter comprado um presente.
A mulher foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital Santana. O caso foi registrado como tentativa de homicídio e violência doméstica na Central de Polícia Judiciária, e a prisão em flagrante do médico foi posteriormente convertida em preventiva.
A Posição da Defesa do Médico
O advogado Vinicius Rodrigues Siqueira Santos, responsável pela defesa de Mituro Hattori Júnior, confirmou a concessão do alvará de soltura e a liberdade provisória do médico. Em nota, a defesa enfatizou que seu cliente não possui qualquer condenação definitiva, reforçando o princípio da presunção de inocência, o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
A defesa reiterou sua convicção de que a inocência do médico será plenamente demonstrada por meio das provas e elementos a serem apresentados no processo, especialmente durante a audiência já designada para 24 de novembro. O advogado ressaltou a importância de que todas as informações e declarações relacionadas aos fatos sejam analisadas dentro do processo judicial, permitindo o exercício efetivo da defesa. Para mais detalhes sobre o caso, consulte a cobertura completa do g1 Mogi das Cruzes e Suzano.
