A corrida presidencial de 2026 se desenha com um cenário de alta competitividade, conforme a mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (7). O levantamento, que entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 3 e 6 de setembro, aponta um empate técnico na simulação de segundo turno e uma série de fatores econômicos e de aprovação governamental que moldam a percepção do eleitorado.
Os dados revelam que, embora haja uma liderança consolidada no primeiro turno para os principais nomes, a disputa se acirra consideravelmente em um eventual confronto direto, com a economia emergindo como um dos principais preditores do sucesso eleitoral.
Primeiro turno: Lula mantém liderança e Cury oscila
Na simulação de primeiro turno, o ex-presidente Lula (PT) mantém a liderança com 36% das intenções de voto, apresentando uma leve queda em relação aos 37% registrados no levantamento de 2 de setembro. Em seguida, Flávio Bolsonaro (PL) permanece estável com 29%.
O cenário para outros candidatos mostra Augusto Cury (Avante) com 8%, uma redução em comparação aos 10% da pesquisa anterior. Os demais nomes somam 9% das intenções de voto. A parcela de eleitores indecisos é de 10%, enquanto 8% declaram a intenção de votar em branco, anular ou não comparecer às urnas.
Segundo turno: empate técnico e bases eleitorais definidas
A pesquisa Quaest indica um empate técnico na simulação de segundo turno, com Lula e Flávio Bolsonaro ambos com 41% das intenções de voto. Este resultado representa uma oscilação negativa para Lula, que tinha 42% no levantamento anterior, enquanto Bolsonaro manteve seu percentual.
A análise das identidades políticas revela a solidez das bases: 96% dos eleitores lulistas e 89% da esquerda declaram voto em Lula, enquanto 98% dos bolsonaristas e 86% da direita optam por Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores independentes, o cenário é de empate. As taxas de conhecimento, potencial de voto e rejeição também se mostram equilibradas, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Lula tem um potencial de 44% e rejeição de 53%, enquanto Flávio Bolsonaro é rejeitado por 55% e possui um potencial de voto de 40%.
Desaprovação governamental e o peso da economia
Um fator crucial que parece impactar a candidatura de Lula é a taxa de desaprovação do governo, que atinge 50%. Diferentemente de outros governos em períodos semelhantes, a aprovação do atual presidente tem mostrado uma tendência de piora desde julho. Essa tendência negativa é observada em regiões como o Nordeste (de 29% para 35%) e o Sudeste (de 50% para 56%), além de segmentos específicos como homens (de 50% para 57%) e jovens (de 46% para 55%).
O endividamento da população é uma das variáveis que ajudam a explicar o desempenho do governo. O período de queda na aprovação coincide com o aumento das reclamações sobre dívidas entre julho e setembro. Programas como o Desenrola 2.0, inicialmente bem avaliado por 50% dos brasileiros, viu sua percepção positiva cair para 43%, indicando que o dilema da acessibilidade financeira (affordability) persiste.
Apesar de 64% dos brasileiros reconhecerem um aumento em suas rendas no último ano, apenas 10% sentiram que esse aumento superou o custo de vida. Essa frustração econômica tem claros efeitos eleitorais: Lula tem vantagem entre quem percebeu aumento real de renda, enquanto Flávio Bolsonaro lidera entre aqueles que sentiram o custo de vida subir mais que a renda ou que não viram melhoria financeira. Para mais informações sobre pesquisas eleitorais, consulte g1.globo.com.
O papel dos eleitores ‘outsiders’ e moderados na decisão
Com as bases eleitorais de Lula (29% a 33%) e da família Bolsonaro (24%) aparentemente bem estabelecidas, o resultado final da eleição dependerá do comportamento do restante do eleitorado, que se divide entre aqueles que buscam um “outsider” (20%) e um “moderado” (17%).
No primeiro turno, esses eleitores se distribuem entre Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e outros nomes. Em um cenário de segundo turno, um terço dos que procuram um “outsider” ou um “moderado” escolhe Lula, um quarto afirma que não votará em ninguém, e 40% optam por Flávio Bolsonaro. Esse comportamento reforça a percepção de uma eleição bastante acirrada, onde o medo também se equilibra: 43% temem a volta da família Bolsonaro ao poder e 43% temem a continuidade do governo Lula, com diferenças geracionais notáveis.

