O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que atua como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), tomou a iniciativa de acionar a Polícia Legislativa Federal após ser contatado por um comerciante. O empresário, identificado como Luiz Antônio Lopes, trouxe informações de que o também deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) teria orquestrado um esquema para fabricar uma denúncia de estupro contra Gaspar.
O caso ganhou contornos oficiais com o registro de um boletim de ocorrência por Gaspar em 14 de abril. Nove dias depois, em 23 de abril, a Polícia Legislativa ouviu o depoimento de Lopes. As apurações iniciais realizadas pela Polícia Legislativa foram subsequentemente encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) para prosseguimento. Lindbergh Farias, por sua vez, refuta veementemente as alegações e, em 10 de junho, ingressou com uma ação no STF pedindo a suspensão e a anulação da investigação conduzida pela Polícia Legislativa.
Investigação da Polícia Legislativa e detalhes da suposta trama
Durante seu depoimento à Polícia Legislativa, o comerciante Luiz Antônio Lopes narrou que, enquanto trabalhava em seu quiosque em um shopping no Rio de Janeiro, observou a movimentação de um grupo de indivíduos supostamente ligados ao deputado Lindbergh Farias. Lopes afirmou ter sido informado por um terceiro que a reunião visava a preparação de uma entrevista falsa, com o objetivo de acusar Alfredo Gaspar de estupro.
Segundo o relato de Lopes, uma jovem integrante desse grupo, que teria conquistado sua confiança, revelou que recebia pagamentos que variavam de R$ 2 mil a R$ 10 mil para sustentar a farsa. O comerciante mencionou ainda o envolvimento de um assessor de Lindbergh, cujo nome seria Lucas. No entanto, uma verificação realizada pelo g1 não encontrou nenhuma pessoa com esse nome entre os funcionários contratados pelo gabinete do deputado petista.
É relevante notar que Luiz Antônio Lopes é filiado ao Partido Liberal (PL), o mesmo partido de Alfredo Gaspar. A certidão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que sua filiação ocorreu em 30 de abril deste ano, apenas sete dias após ele ter prestado depoimento à Polícia Legislativa.
Repercussões e histórico de embates políticos
Paralelamente a esta investigação, a Polícia Federal (PF) recebeu uma solicitação para instaurar um inquérito que visa apurar a suspeita de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar. Contudo, o procedimento ainda não foi formalmente iniciado, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou informações adicionais antes de analisar o caso. A relatoria deste processo está a cargo do ministro Gilmar Mendes, do STF.
Em um desdobramento anterior, Alfredo Gaspar já havia acionado a Justiça contra a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e o próprio deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Gaspar alegou que ambos divulgaram informações falsas a seu respeito, após comentários feitos por eles sobre a acusação de estupro. Este episódio ocorreu durante uma sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde Gaspar atuava como relator. Na ocasião, Lindbergh Farias dirigiu-se a Gaspar chamando-o de “estuprador”, ao que Gaspar respondeu rotulando o petista de “bandido”.
O perfil político do deputado Alfredo Gaspar
Alfredo Gaspar foi oficialmente anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro em 5 de agosto. Com uma trajetória notável, Gaspar é ex-promotor de Justiça e já ocupou importantes cargos públicos, como procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública no estado de Alagoas. Sua eleição para a Câmara dos Deputados ocorreu em 2022, e ele ganhou projeção nacional ao desempenhar o papel de relator da CPMI do INSS. Sua experiência em segurança pública e no Ministério Público confere-lhe um perfil de rigor e atuação em temas jurídicos e de ordem pública.
Para mais informações sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro, consulte o site oficial do Supremo Tribunal Federal.

