Uma pesquisa recente da Quaest revelou que uma parcela significativa da população brasileira apoia a classificação de grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Os dados, divulgados em um cenário de crescente debate sobre segurança pública e cooperação internacional, indicam uma forte demanda por medidas mais rigorosas no combate a essas facções.
O levantamento também explorou a percepção pública sobre a decisão dos Estados Unidos de categorizar esses grupos da mesma forma, além de questionar a possível influência de figuras políticas brasileiras na determinação internacional. A pesquisa oferece um panorama detalhado da opinião dos eleitores em um momento crucial para a política externa e interna do Brasil.
Percepção nacional sobre a classificação de organizações terroristas
A pesquisa Quaest, realizada entre os dias 5 e 8 de junho de 2026, consultou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. Os resultados mostram que 60% dos entrevistados concordam que facções como o PCC e o Comando Vermelho deveriam ser consideradas organizações terroristas pelo governo brasileiro. Em contraste, 29% discordam dessa medida, enquanto 11% não souberam ou preferiram não responder.
Quando a pergunta se volta para a classificação dessas organizações pelo governo dos Estados Unidos, a opinião pública se mostra mais dividida. Um total de 45% dos entrevistados concordam com a medida americana, enquanto outros 45% discordam. Os 10% restantes não souberam ou preferiram não responder, evidenciando uma polarização sobre a intervenção externa nesse tipo de categorização.
A decisão dos Estados Unidos e o debate sobre soberania
As facções brasileiras passaram a ser oficialmente classificadas como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos em junho. Essa decisão foi anunciada pelo governo de Trump no final de maio, gerando um amplo debate entre especialistas e autoridades.
Especialistas em segurança avaliam que a classificação pode representar um risco à soberania nacional do Brasil, levantando preocupações sobre a possibilidade de interferência externa em questões de segurança interna. Por outro lado, defensores da medida argumentam que ela pode abrir caminho para uma ampliação da cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional, oferecendo novas ferramentas e recursos para as autoridades brasileiras.
Influência política e a reunião na Casa Branca
A pesquisa Quaest também investigou a percepção dos eleitores sobre a influência de Flávio Bolsonaro na decisão do governo Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Um total de 47% dos entrevistados avaliam que o parlamentar teve influência na decisão, enquanto 37% afirmam que ele não teve participação. Os 16% restantes não souberam ou preferiram não responder.
O anúncio da classificação ocorreu um dia após Flávio Bolsonaro se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A imagem que acompanha a notícia mostra Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo em um encontro com o então presidente Donald Trump, reforçando o contexto das discussões políticas de alto nível que antecederam a medida.
Contexto político-eleitoral e a visibilidade dos encontros
O questionário da Quaest incluiu um bloco de perguntas sobre a percepção dos eleitores em relação ao relacionamento do Brasil com os Estados Unidos e aos vínculos de pré-candidatos como Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) com o presidente americano Donald Trump. A visibilidade desses encontros foi um ponto de interesse.
Metade dos entrevistados, 50%, afirmou ter conhecimento sobre o encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro, realizado no final de maio. A outra metade, 50%, declarou não saber da reunião. Esse dado sugere que, embora o encontro tenha tido repercussão, sua visibilidade não foi universal entre o eleitorado, indicando diferentes níveis de engajamento com as notícias políticas e diplomáticas. Para mais informações sobre a política externa brasileira, consulte fontes oficiais como o Portal do Governo Brasileiro.
Detalhes metodológicos da pesquisa Quaest
A pesquisa Quaest, que embasa essas conclusões, foi realizada com uma amostra de 2.004 pessoas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-07661/2026, garantindo a conformidade com as normas eleitorais vigentes.

