O uso do cartão de crédito rotativo no Brasil atingiu a marca de R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre de 2024. O dado, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, revela um crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as concessões somavam R$ 99,9 bilhões. O avanço ocorre mesmo em um cenário de taxas de juros extremamente elevadas, consolidando esta como a linha de crédito mais cara do mercado.
A modalidade é apontada por economistas como um dos principais fatores para o alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Em março, a taxa média de juros do rotativo alcançou o patamar de 428,3% ao ano. Esse custo financeiro elevado dificulta a quitação de débitos e gera um efeito cascata no orçamento doméstico de milhões de cidadãos.
Atualmente, cerca de 101 milhões de brasileiros possuem pelo menos um cartão de crédito, o que representa quase metade da população do país. Desse total, aproximadamente 40 milhões de pessoas estavam com dívidas ativas no rotativo em janeiro deste ano. O uso frequente dessa ferramenta reflete a necessidade de liquidez imediata, mas impõe um ônus financeiro severo.
A inadimplência nesta linha específica de crédito é alarmante, atingindo 63,5%. Na prática, isso significa que mais de R$ 60 a cada R$ 100 emprestados pelas instituições financeiras não são honrados no prazo estipulado. O rotativo é acionado automaticamente quando o cliente não efetua o pagamento integral da fatura até o vencimento.
Para tentar conter o crescimento descontrolado dos débitos, o Congresso e o governo federal implementaram mudanças significativas em janeiro de 2024. Ficou determinado que o valor total da dívida, somando juros e encargos, não pode exceder o valor original do débito. Essa trava impede que uma dívida de R$ 100, por exemplo, ultrapasse o montante final de R$ 200.
Especialistas recomendam que o consumidor evite ao máximo o uso do rotativo. A orientação principal é priorizar o pagamento total da fatura mensalmente. Caso não seja possível, a busca por linhas de crédito com juros menores, como o crédito consignado, é vista como uma alternativa mais sustentável para evitar o colapso das finanças pessoais.
O governo federal trabalha em novas frentes para reduzir o endividamento da população em um ano marcado por movimentações políticas. Uma das estratégias em análise envolve a unificação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em um único contrato de refinanciamento. O programa prevê descontos agressivos nos juros, que podem variar entre 30% e 90%.
Outra medida aguardada é a regulamentação do uso do saldo do FGTS como garantia para empréstimos no setor privado. Segundo o Ministério da Fazenda, essa garantia permitiria a oferta de taxas de juros consideravelmente menores aos trabalhadores. O objetivo é substituir dívidas caras por modalidades de crédito mais saudáveis e compatíveis com a renda real das famílias.
O diretor do Banco Central, Gabriel Galípolo, ressaltou recentemente que o uso do rotativo tem se tornado parte da renda mensal de muitas famílias, em vez de ser uma solução emergencial. Essa distorção estrutural é um dos focos de atenção da autoridade monetária, que busca construir alternativas para que o cliente bancário tenha opções mais adequadas à sua realidade financeira.
Para mais informações detalhadas sobre as estatísticas monetárias e de crédito, consulte os relatórios oficiais do Banco Central.
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