Uma operação da Prefeitura de Itaquaquecetuba resultou na demolição de quatro casas no Jardim Cristiano, na Rua Osvaldo Cruz, nesta segunda-feira. A ação, que contou com a participação de equipes da Defesa Civil e da Guarda Civil Municipal (GCM), gerou forte controvérsia, com moradores alegando não terem sido previamente notificados sobre a intervenção.
O incidente destaca a tensão entre a fiscalização municipal de ocupações irregulares e os direitos dos residentes, especialmente em áreas de vulnerabilidade. Enquanto a administração municipal defende a legalidade da medida, baseada em processos administrativos contra loteamentos clandestinos, os afetados questionam a forma como a operação foi conduzida e a ausência de comunicação prévia.
Ação municipal e as alegações dos moradores
A operação de demolição ocorreu na manhã desta segunda-feira, visando imóveis que, segundo a Prefeitura, estavam em situação irregular. Moradores, em depoimentos, expressaram surpresa e indignação, afirmando que não receberam qualquer notificação oficial antes da chegada das equipes.
Entre os atingidos, duas moradoras de nacionalidade boliviana relataram a destruição de suas casas. Uma delas explicou que sua família já residia no terreno em uma estrutura provisória enquanto a construção principal estava em andamento. A outra moradora afirmou ter erguido seu imóvel no ano passado e que nenhuma ordem judicial foi apresentada no momento da demolição, levantando dúvidas sobre a legalidade do processo.
Contestação jurídica e o posicionamento da Prefeitura
O advogado que representa as famílias afetadas, Cláudio Martins, classificou a lei municipal que embasou a ação como inconstitucional. Ele argumentou que a legislação não autoriza a demolição de construções habitadas sem a devida notificação e um processo legal claro. Martins declarou que buscará apurar a responsabilidade do poder público e solicitar indenizações pelos danos causados aos imóveis.
Em resposta às alegações, o secretário de Segurança Urbana de Itaquaquecetuba, Anderson Caldeira, defendeu a operação. Ele afirmou que a ação se insere no combate a loteamentos clandestinos e que as construções estavam localizadas em Área de Preservação Permanente (APP) e em zonas de risco de deslizamento. Caldeira reiterou que os moradores foram devidamente notificados através de processos administrativos que se estendiam por meses, contradizendo as declarações dos residentes.
Desdobramentos e o futuro dos atingidos
Durante a entrevista em que o secretário Caldeira detalhava a posição da Prefeitura, moradores presentes contestaram veementemente a afirmação de que as notificações haviam sido entregues. O secretário também mencionou que outra casa estava programada para ser demolida no mesmo dia, reforçando o caráter contínuo da fiscalização municipal.
A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que atua por meio de processo administrativo e tem um prazo de 30 dias para comunicar ao Ministério Público as providências adotadas. A Secretaria de Habitação, segundo Caldeira, já havia orientado os moradores sobre a ocupação da área. Questionada sobre o destino dos moradores desalojados, a administração municipal esclareceu em nota que “no momento, não há qualquer operação de remoção coletiva de famílias, razão pela qual não existe definição de encaminhamento habitacional decorrente dessa ação específica”. A nota conclui que a Prefeitura continuará a impedir ocupações irregulares, proteger áreas sensíveis e cumprir determinações dos órgãos de controle, sempre preservando o devido processo legal e os direitos da população. Para mais informações sobre segurança e defesa civil, consulte fontes oficiais como a Defesa Civil.

