As próximas eleições de 2026 prometem um cenário de maior diversidade no eleitorado brasileiro, impulsionado por um aumento significativo na autodeclaração de raça e cor. Dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que mais de 20 milhões de eleitores se identificaram como pretos e pardos, marcando o maior número já registrado e representando quase 13% do total de 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar.
Este crescimento notável reflete uma tendência de maior visibilidade e afirmação racial no país, com a autodeclaração de raça ou cor, que é voluntária no cadastro da Justiça Eleitoral, quase dobrando em diversas categorias demográficas. A comparação entre os dados de 2024 e as projeções para 2026 demonstra uma mudança expressiva no perfil do eleitorado.
Crescimento expressivo na autodeclaração de eleitores negros e outras etnias
A análise dos dados do TSE, elaborados em um infográfico de 20 de julho de 2026, evidencia um salto considerável na autodeclaração de raça e cor para as eleições de 2026 em comparação com as eleições municipais de 2024. O número de eleitores que se declararam pardos passou de 8,5 milhões para 16,9 milhões, um aumento de 99,3%.
Para os eleitores que se identificaram como pretos, o crescimento foi de 1,8 milhão para 3,6 milhões, representando uma alta de 98,3%. Juntos, pretos e pardos somam os mais de 20 milhões de eleitores negros. Outras categorias também registraram aumentos substanciais: os indígenas passaram de 155,7 mil para 287,1 mil (aumento de 84,5%), e os amarelos, de 114,3 mil para 229,5 mil, um crescimento de 100,7%, mais que dobrando.
Os eleitores que se declararam brancos também viram seus números crescerem, de 5,3 milhões para 11,7 milhões, mais que o dobro. Em contrapartida, o número de pessoas sem informação de raça ou cor no cadastro eleitoral diminuiu de 140 milhões para 126 milhões, uma redução de 10,02%, indicando uma maior adesão à autodeclaração.
O contexto social por trás da maior diversidade eleitoral
A ex-ministra do TSE, Vera Lúcia Santana Araújo, a segunda mulher negra a integrar o tribunal, oferece uma perspectiva sobre o fenômeno. Segundo ela, o aumento da autodeclaração é um reflexo direto das políticas de combate ao racismo e de redução das desigualdades raciais. O movimento negro brasileiro tem desempenhado um papel crucial ao motivar as pessoas negras a se reconhecerem e se afirmarem como tal.
Por muito tempo, a negritude foi associada a conotações negativas e à escravização, impactando a autoestima e a percepção social. Vera Lúcia destaca que o trabalho afirmativo na identidade negra, aliado a medidas de inclusão, permite que as pessoas se vejam de maneira elevada e exijam reconhecimento. A autodeclaração, nesse sentido, é uma consequência natural desse processo de afirmação social.
A ex-ministra também menciona a importância de eventos como a primeira Marcha das Mulheres Negras, que em 2015 reuniu cerca de 50 mil pessoas em Brasília e foi replicada no ano passado, reforçando a ideia de que

