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Falso médico flagrado em Vídeo aplicando injeção na rua é alvo de operação com 9 mortes sob investigação

A polícia deflagrou a segunda fase da Operação Hipócrates, resultando na prisão de um homem acusado de se passar por médico e realizar atendimentos ilegais. Um vídeo obtido pelas autoridades mostra o indivíduo, identificado como Marcos Phelipe de Barros, aplicando uma injeção em uma mulher em plena rua, em Mogi das Cruzes. As investigações revelam a gravidade da situação, com a apuração de cerca de 2 mil atendimentos e nove mortes supostamente relacionadas à sua atuação.

A ação policial, conduzida pelo 22º Distrito Policial de São Miguel Paulista, na capital paulista, visa desmantelar um esquema de exercício ilegal da profissão. A prisão de Barros e a apreensão de equipamentos, como computadores, são passos cruciais para aprofundar a compreensão da extensão de suas atividades, que incluíam atendimentos por telemedicina.

Prisão de falso médico e flagrante em vídeo

Marcos Phelipe de Barros foi detido em Mogi das Cruzes, onde, segundo a polícia, realizava atendimentos à distância. A evidência mais contundente contra ele é um vídeo que o mostra em frente a um condomínio em Jundiapeba, Mogi das Cruzes, ao lado de um carro estacionado. Nas imagens, ele é visto preparando uma seringa e administrando uma injeção em uma mulher que estava em pé na calçada.

Este flagrante em vídeo corrobora as suspeitas de que Barros exercia a medicina sem a devida qualificação ou autorização. A prática de procedimentos médicos em locais inadequados e sem as condições sanitárias mínimas representa um risco imenso à saúde pública, expondo pacientes a infecções e complicações graves.

Operação Hipócrates revela esquema de atuação

A Operação Hipócrates, em sua segunda fase, cumpriu sete mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e outras medidas cautelares determinadas pela Justiça. As diligências se estenderam por diversas cidades, incluindo São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes, demonstrando a abrangência da rede de atuação dos investigados.

As investigações apontam que Marcos Phelipe de Barros utilizava documentos verdadeiros de um profissional legítimo, Nicolas Joseph Della Matta, para se passar por médico. Essa estratégia de falsidade ideológica permitia que ele operasse em diferentes contextos, enganando pacientes e, possivelmente, instituições de saúde. A primeira fase da operação, realizada em dezembro do ano passado, já havia cumprido mandados de busca em um hospital da Zona Leste da capital, indicando que o esquema era investigado há algum tempo.

Investigação aponta milhares de atendimentos e mortes

Um dos aspectos mais alarmantes da investigação é a escala das atividades atribuídas a Marcos e a outro homem. De acordo com as apurações, eles teriam atuado como falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo, realizando cerca de 2 mil atendimentos ao longo de dois anos. O inquérito é ainda mais grave ao apontar que nove pacientes morreram em decorrência de supostos erros e falhas nos atendimentos prestados por esses indivíduos.

O delegado Mariano de Araújo, titular do 22º DP, enfatizou a seriedade do caso: “Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas. A investigação aponta uma atuação clandestina prolongada, com consequências gravíssimas para pacientes”. Os crimes apurados incluem exercício ilegal da profissão, estelionato e uso de documentos falsos, refletindo a complexidade e a periculosidade do esquema.

Desdobramentos e medidas contra hospital

As apurações não se limitam aos falsos médicos, mas também identificaram indícios de omissão e negligência por parte da unidade hospitalar onde eles atuavam. Diante das evidências, a Justiça determinou o afastamento da gestora operacional e do diretor clínico do Hospital de Clínicas Jardim Helena durante o curso das investigações. Essa medida visa garantir a transparência e a integridade do processo, permitindo que as autoridades investiguem a fundo a responsabilidade da instituição.

O caso ressalta a importância da fiscalização rigorosa na área da saúde e a necessidade de que pacientes e familiares verifiquem sempre as credenciais dos profissionais. O Ministério da Saúde oferece informações e canais para denúncias sobre práticas irregulares. A defesa de Marcos Phelipe de Barros ainda não foi localizada, e o hospital não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.

Redação on-line

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