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Jato executivo ligado a banqueiro Vorcaro transportou Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes

Uma aeronave de luxo, um jato executivo Embraer Legacy 650, que era administrada por uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, foi utilizada em viagens separadas por figuras proeminentes da política e da justiça brasileiras. O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fizeram uso do avião em ocasiões distintas, conforme revelado por apurações jornalísticas.

As viagens e as conexões da aeronave com o conglomerado de Vorcaro ganharam destaque em meio a investigações da Polícia Federal, que apontam para uma complexa rede de negócios envolvendo ativos financeiros e serviços advocatícios. A situação levanta questionamentos sobre a transparência e as relações entre empresários e autoridades públicas.

Detalhes da aeronave de alto desempenho

O jato em questão é um Legacy 650, modelo de aeronave executiva fabricado pela Embraer, conhecido por seu conforto e autonomia. Com capacidade para três tripulantes e até 13 passageiros, o avião oferece um ambiente de viagem de alto padrão, como pode ser observado nas imagens de seu interior luxuoso, com assentos de couro e acabamentos em madeira.

A aeronave, de prefixo PP-NLR e fabricada em 2012, possui um alcance considerável de até 6.780 km e pode atingir uma velocidade de aproximadamente 850 km/h. Essas características permitem voos de longa distância, como a rota entre os Estados Unidos e o Brasil, sem a necessidade de escalas frequentes.

Viagens distintas e suas circunstâncias

Flávio Bolsonaro confirmou ter utilizado o jato em janeiro de 2025, em uma viagem de retorno dos Estados Unidos para o Brasil. Ele estava acompanhado de sua família e do amigo Willer Tomaz, partindo de Fort Lauderdale, na Flórida, e pousando em Brasília. O senador fez menção à viagem em suas redes sociais, comentando sobre a propriedade da aeronave na época.

Meses depois, em agosto do mesmo ano, o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, também fizeram uso da mesma aeronave. A informação sobre as viagens foi inicialmente divulgada pela revista “piauí” e posteriormente confirmada pelo g1.globo.com, trazendo à tona o uso compartilhado do jato por figuras de diferentes esferas.

Conexões empresariais e investigações da Polícia Federal

À época das viagens, a aeronave era gerida pela Prime Aviation, uma empresa que possui vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro. O contrato de cessão do jato, com duração de dez anos, era mantido com a Fraction 024, de propriedade de Marcus Vinícius da Mata, também associado a Vorcaro. A Polícia Federal, em suas investigações, identificou mensagens em que Vorcaro questionava Da Mata sobre o uso de suas aeronaves pela família do ministro do STF.

Posteriormente, a mesma aeronave foi apontada pela Polícia Federal como parte de uma negociação com o escritório de advocacia Barci de Moraes, em maio de 2025, envolvendo um contrato de R$ 50 milhões por serviços advocatícios. Embora o contrato de Viviane Barci tenha sido firmado com a Viking Participações, esta empresa fazia parte do conglomerado utilizado por Daniel Vorcaro para a diluição de ativos financeiros, incluindo bens como o Legacy 650 (F24) e um helicóptero (F53).

Esclarecimentos do advogado Willer Tomaz

Em nota oficial, o advogado Willer Tomaz negou qualquer conhecimento ou relação com Daniel Vorcaro, afirmando que jamais esteve com o banqueiro ou celebrou qualquer tipo de negócio com ele. Tomaz também esclareceu que a venda de uma cota de terceiro à Prime You ocorreu sem seu conhecimento ou anuência.

O advogado declarou que, ao tomar ciência da situação em abril de 2026, denunciou o contrato e desde então está em litígio com a Prime You. Seu posicionamento busca desvincular-se das conexões empresariais que surgiram em torno da administração e propriedade da aeronave.

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