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Morre Lúcia Viveiros, pioneira na Câmara dos Deputados e defensora das mulheres

A política brasileira e o estado do Pará se despedem de uma figura histórica e inspiradora: Lúcia Viveiros, a primeira mulher a presidir sessões da Câmara dos Deputados e a primeira deputada federal eleita pelo Pará, faleceu em Belém aos 91 anos. A notícia de seu falecimento foi confirmada pela família na terça-feira (11), com o sepultamento ocorrendo na quarta-feira (12), marcando o fim de uma vida dedicada ao serviço público e à defesa de causas sociais.

Engenheira, professora universitária e comunicadora, Lúcia Viveiros dedicou sua vida à vida pública e à defesa intransigente dos direitos das mulheres, deixando um legado multifacetado que transcende o parlamento e inspira gerações. Sua trajetória é marcada por um pioneirismo notável e pela quebra de barreiras em um cenário político e social que, à época, era predominantemente masculino e conservador. Sua atuação abriu caminhos para futuras lideranças femininas no Brasil.

Lúcia Viveiros: uma trajetória de pioneirismo no parlamento

Lúcia Viveiros não apenas marcou seu nome na história política do Brasil, mas a reescreveu ao se tornar a primeira mulher a presidir uma sessão da Câmara dos Deputados. Este feito notável, registrado na biografia da Câmara dos Deputados, foi um dos muitos em sua distinta carreira parlamentar. Ela também conquistou o título de primeira mulher eleita deputada federal pelo Pará, representando seu estado natal em duas ocasiões distintas no Congresso Nacional.

Além de sua significativa atuação no Congresso, Lúcia Viveiros exerceu dois mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), servindo entre os anos de 1979 e 1987. Sua jornada política incluiu a eleição para deputada federal primeiramente pelo MDB em 1979, e posteriormente pelo PDS em 1983, demonstrando sua relevância, adaptabilidade e capacidade de articulação política em diferentes contextos partidários e momentos históricos do país.

A defesa incansável dos direitos das mulheres

A década de 1970 foi um período de intensa dedicação de Lúcia Viveiros à luta pelos direitos e pela emancipação das mulheres. Ela não se limitou a advogar por essas causas em seus discursos e propostas legislativas, mas também agiu de forma concreta para promover a assistência e o empoderamento feminino em sua comunidade.

Em 1975, Lúcia fundou e presidiu a Legião da Mulher Paraense (Lempa), uma entidade visionária dedicada a oferecer assistência jurídica e social às mulheres, preenchendo uma lacuna importante na sociedade da época. Sua visão e liderança foram cruciais para a criação de um espaço de apoio fundamental. Além disso, Lúcia Viveiros protagonizou um ato simbólico de grande impacto e ousadia para a Belém da década de 1970: foi a primeira mulher a entrar no plenário da Câmara dos Deputados usando calças compridas, um gesto que desafiou abertamente as convenções sociais e de vestuário, tornando-se um marco na luta por igualdade.

Legado multifacetado além da política

A vida de Lúcia Viveiros não se restringiu à arena política, revelando uma personalidade com múltiplos talentos e paixões. Sua formação e atuação profissional eram diversas e complementares à sua paixão pelo serviço público. Ela era uma engenheira, uma profissão que, à sua época, era ainda mais rara e desafiadora para mulheres, evidenciando sua inteligência e determinação.

Além de sua carreira na engenharia, Lúcia atuou como professora universitária, dedicando-se a compartilhar conhecimento e a formar novas gerações de profissionais e cidadãos. Sua voz também ecoou no rádio e na televisão, onde trabalhou como comunicadora, utilizando essas plataformas para informar, engajar e educar a população paraense e brasileira. Em nota oficial, a Assembleia Legislativa do Pará manifestou profundo pesar pela perda, ressaltando o legado histórico de Lúcia Viveiros como uma pioneira e uma das figuras mais importantes da política paraense e brasileira, cujo impacto perdurará.

Redação on-line

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