A Polícia Federal revelou detalhes cruciais sobre a Operação Compliance Zero, indicando uma tentativa de ocultação de provas após prisões relacionadas ao esquema. As investigações apontam que um dos alvos da 6ª fase da operação, David Henrique Alves, teria ordenado a remoção de todos os móveis e pertences de sua residência em Lagoa Santa (MG), um dia após a prisão de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, na 3ª fase da mesma operação.
compliance: cenário e impactos
A ação, que envolveu um de seus subordinados, Victor Lima Sedlmaier, foi monitorada pelos agentes e considerada um movimento estratégico para desmobilizar o imóvel e suprimir elementos probatórios. As informações foram detalhadas na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 5ª fase da operação.
Ordem de esvaziamento e a atuação da Polícia Federal
No dia 5 de março, um dia após a prisão de Fabiano Campos Zettel, David Henrique Alves teria instruído Victor Lima Sedlmaier a esvaziar sua casa. A Polícia Federal, que já monitorava o local, registrou a chegada de Victor em um carro importado, portando as chaves da residência. Posteriormente, ele retornou com um caminhão de mudança.
A movimentação foi interpretada pela PF como uma tentativa clara de remover bens e equipamentos que poderiam conter evidências vitais para a investigação. A polícia concluiu que essa circunstância é “extremamente relevante”, pois ocorreu imediatamente após a fuga ou evasão de David, em um contexto compatível com a desmobilização do imóvel e a possível supressão de provas.
Os grupos criminosos e seus métodos de atuação
As investigações da Polícia Federal desvendaram a existência de dois grupos interligados, “Os Meninos” e “A Turma”, que operavam em conjunto para atender aos comandos de uma organização criminosa maior. David Henrique Alves e Victor Lima Sedlmaier integravam “Os Meninos”, um núcleo especializado em ataques cibernéticos.
Este grupo era responsável por invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal. Victor, inclusive, era apontado como o líder dessa célula. Em paralelo, “A Turma” era o braço violento do esquema, encarregado de realizar ameaças a adversários, e contava com a participação de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que gerenciaria ambos os grupos.
A ligação com o núcleo central e a supressão de provas
A Polícia Federal aponta que tanto “Os Meninos” quanto “A Turma” tinham como objetivo principal atender a uma série de comandos do “núcleo central da organização criminosa”, que seria chefiada por Daniel Vorcaro. A atuação de Victor Lima Sedlmaier na remoção dos bens da casa de David Henrique Alves é vista como uma tentativa de proteger esse núcleo e dificultar o avanço das investigações sobre as fraudes financeiras.
A PF destacou que Victor não apenas conhecia a rotina do líder do grupo, mas teria agido para manusear, remover ou resguardar bens e equipamentos com potencial relevância probatória em um momento crítico da apuração. Este episódio reforça a complexidade e a articulação dos envolvidos na Operação Compliance Zero. Para mais informações sobre operações policiais, visite o G1.

