- Continua depois da publicidade -

Segurança pública: PEC avança na CCJ do Senado com análise agendada

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das prioridades do governo, está com análise agendada para a próxima quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A informação foi confirmada pelo presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), à GloboNews, marcando um passo significativo na tramitação de uma matéria crucial para o enfrentamento ao crime organizado no país.

A proposta visa endurecer o combate a facções criminosas, ampliar os instrumentos de segurança pública e alterar dispositivos constitucionais relevantes. Sua aprovação representa um dos pilares da agenda governamental para a área, buscando fortalecer as instituições e mecanismos de resposta aos desafios impostos pela criminalidade.

O avanço da PEC da Segurança na Comissão de Constituição e Justiça

O presidente da CCJ, senador Otto Alencar, destacou a prontidão do relatório da PEC, o que permitiu sua inclusão na pauta da próxima reunião da comissão. Este movimento é resultado de intensas negociações e articulações políticas, que visam garantir o progresso da proposta no Congresso Nacional.

A PEC da Segurança é uma das quatro matérias consideradas de alta prioridade pelo Palácio do Planalto, refletindo a urgência em promover reformas que impactem diretamente a segurança pública e o combate às organizações criminosas em todo o território nacional.

O percurso da proposta entre Câmara e Senado

A proposta já havia sido aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados em 4 de março, mas enfrentava um período de estagnação no Senado desde 10 de março. O destravamento de sua tramitação ocorreu após reuniões estratégicas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Essa movimentação política foi interpretada por parlamentares governistas como um sinal claro de retomada das pautas de interesse do governo federal no Senado. A PEC foi finalmente despachada para a CCJ na última sexta-feira, reacendendo as expectativas de sua rápida aprovação.

Relatoria e a estratégia para agilizar a promulgação

O relator da matéria na CCJ é o senador Rogério Carvalho (PT-SE), um aliado do presidente Lula. Em seu parecer apresentado à comissão, o senador optou por manter integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Essa decisão estratégica busca acelerar o processo legislativo.

Ao preservar o texto original da Câmara, a proposta não precisará retornar à casa de origem para uma nova votação, caso seja aprovada pelos senadores sem alterações. Segundo o relator, a versão já é fruto de uma ampla negociação que envolveu governadores, secretários estaduais de Segurança Pública, representantes das forças policiais e membros da sociedade civil, o que minimiza a necessidade de novas discussões e evita atrasos na promulgação.

Os pilares da PEC: endurecimento e ampliação de atuação

Entre os principais pontos da PEC da Segurança Pública, destacam-se medidas que visam fortalecer o aparato legal e operacional contra o crime. A proposta prevê o endurecimento do tratamento dado a chefes e integrantes de organizações criminosas de alta periculosidade.

  • Esses indivíduos passarão a cumprir pena em presídios de segurança máxima, sob regras mais rígidas e com menos benefícios.
  • A PEC também autoriza a expropriação, sem indenização, de dinheiro, imóveis e outros bens vinculados a atividades criminosas, visando descapitalizar as facções.
  • Outro ponto crucial é a autorização para que municípios ampliem a atuação de suas guardas municipais em atividades de policiamento ostensivo e comunitário, fortalecendo a segurança local.

É importante notar que a proposta original do governo previa ampliar o papel da União na coordenação das políticas de segurança pública. Contudo, durante a tramitação na Câmara, esse ponto enfrentou resistência de governadores e da oposição, que argumentavam sobre uma possível interferência federal em competências estaduais. A versão aprovada pelos deputados, e mantida pelo relator no Senado, reduziu a participação da União, focando em um acordo que pudesse avançar.

Próximos passos e o consenso no parlamento

Após a votação na CCJ, a PEC seguirá para votação em plenário, onde necessitará do apoio de pelo menos três quintos dos senadores em dois turnos para ser promulgada. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, não há necessidade de sanção presidencial. A votação na CCJ ocorrerá na mesma sessão em que está prevista a análise da PEC que reduz a jornada de trabalho, conhecida como a proposta do fim da escala 6×1, outra pauta prioritária do governo.

Embora senadores possam apresentar pedido de vista para adiar a deliberação de ambas as propostas, há uma percepção nos bastidores de que a PEC da Segurança reúne um consenso maior no parlamento do que a proposta sobre a jornada de trabalho, aumentando suas chances de um avanço mais rápido no Senado. Para mais informações sobre o cenário político e legislativo brasileiro, acesse G1 Política.

InícioDestaquesSegurança pública: PEC avança na CCJ do Senado com análise agendada