A corrida eleitoral para o governo de São Paulo em 2026 já tem seus principais nomes definidos. Seis candidatos foram oficializados em convenções partidárias, marcando o início de uma disputa que promete ser intensa e polarizada. O estado, o mais populoso e economicamente relevante do Brasil, se prepara para um pleito que definirá os rumos de sua administração nos próximos anos, com propostas que abrangem desde a continuidade de projetos até a completa reestruturação de políticas públicas.
A lista de postulantes, embora sujeita a ajustes pela Justiça Eleitoral até a data limite de registro, já apresenta um panorama das forças políticas em campo. Com o primeiro turno agendado para 4 de outubro e um possível segundo turno em 25 de outubro, os eleitores paulistas terão a tarefa de avaliar diferentes visões para o futuro da gestão estadual.
A corrida pelo governo de São Paulo em 2026
A eleição para o governo de São Paulo em 2026 mobiliza diversas correntes políticas, refletindo a pluralidade do cenário nacional. Os seis nomes confirmados representam um espectro variado de ideologias e experiências, desde figuras com longa trajetória na administração pública federal e municipal até ativistas e educadores populares que buscam uma ruptura com o modelo atual.
As convenções partidárias, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, foram o palco para a formalização dessas candidaturas. Este processo é crucial para a organização da campanha, permitindo que os partidos articulem suas bases e definam as alianças que sustentarão suas chapas. A expectativa é que o debate se aprofunde à medida que o prazo final para o registro oficial das candidaturas, em 15 de agosto, se aproxima.
Perfis e plataformas dos postulantes
Os candidatos ao governo de São Paulo em 2026 trazem consigo históricos distintos e plataformas que abordam as principais demandas da população paulista. A seguir, um detalhamento dos perfis e das propostas apresentadas por cada um, em ordem alfabética:
Carlos Machado (PCB): Fortalecimento dos serviços públicos
Carlos Machado, do PCB, é historiador e educador popular, com raízes em Franca. Sua trajetória inclui atuação em fábricas de calçados, construção civil e no movimento estudantil. Atualmente, dirige um cursinho popular, evidenciando seu compromisso com a educação.
Em 2024, Machado foi candidato a vice-prefeito de Franca. Para o governo de São Paulo, suas propostas centram-se no fortalecimento da educação e saúde públicas, geração de emprego e renda, e a reestatização de serviços essenciais. Ele defende a valorização dos profissionais e a ampliação do acesso a esses serviços.
Fernando Haddad (PT): Experiência na gestão federal e municipal
Fernando Haddad, do PT, é advogado e professor, com vasta experiência política. Ele ocupou cargos de destaque como ministro da Educação, prefeito de São Paulo e, mais recentemente, ministro da Fazenda no governo federal. Nascido em São Paulo em 1963, possui formação em Direito, Economia e Filosofia pela USP, onde também lecionou Ciência Política.
Sua carreira na administração pública começou na Prefeitura de São Paulo e no Ministério da Educação. Como prefeito, governou a capital entre 2013 e 2016. Em 2018, foi candidato à Presidência da República. Deixou o Ministério da Fazenda em 2026 para disputar o governo de São Paulo, com Márcio França (PSB) como vice. Sua chapa conta com o apoio de uma ampla coligação, incluindo PSB, PDT, PCdoB, PV, Rede e PSOL.
Haddad foca em segurança pública, propondo combate ao crime organizado e integração das forças. Na saúde, defende o uso de tecnologia e inteligência artificial para otimizar o atendimento e reduzir filas no SUS. Também propõe ampliar investimentos estaduais em educação e saúde.
Izadora Dias (PCO): Governo dos trabalhadores e ruptura econômica
Izadora Dias, do PCO, é estudante de Letras da USP e ingressou no partido em 2018. Originária de Barra Bonita, ela é militante ativa, coordenando o coletivo João Cândido, voltado à população negra, e atuando como colunista e apresentadora na mídia partidária.
Sua candidatura defende um programa político que visa um governo dos trabalhadores, em oposição ao poder de grandes empresários e do mercado financeiro. As propostas incluem uma ruptura com o modelo econômico atual, o fortalecimento dos serviços públicos, o controle dos trabalhadores sobre setores estratégicos e o fim da Polícia Militar, com uma redefinição da política de segurança pública.
Tarcísio de Freitas (Republicanos): Busca pela reeleição e continuidade
Tarcísio Gomes de Freitas, do Republicanos, é o atual governador de São Paulo e busca a reeleição. Engenheiro e militar da reserva, nasceu no Rio de Janeiro em 1975. Possui formação em Ciências Militares e Engenharia Civil, além de mestrado em Engenharia de Transportes.
Antes de sua eleição, trabalhou na CGU, DNIT e PPI, e foi ministro da Infraestrutura no governo federal entre 2019 e 2022, período em que liderou diversas concessões e leilões. Em 2022, foi eleito governador no segundo turno com 55,27% dos votos. Sua chapa para a reeleição conta com o apoio de partidos como PL, MDB, Novo e a federação PSDB-Cidadania.
Tarcísio de Freitas defende a continuidade das políticas de seu primeiro mandato, com ênfase em segurança pública, investimentos em infraestrutura, educação, saúde e atração de investimentos privados. Ele destaca a redução de crimes violentos e a ampliação do efetivo policial, além de propor a continuidade de concessões e parcerias com a iniciativa privada. Programas de inclusão produtiva para redução da pobreza também estão em sua agenda.
Vera Lúcia (PSTU): Programa socialista e direitos dos trabalhadores
Vera Lúcia Pereira da Silva Salgado, do PSTU, é ex-operária da indústria de sapatos e tem uma longa trajetória ligada ao movimento sindical e às pautas dos trabalhadores. Nascida em Inajá, Pernambuco, ela também atua em movimentos pelos direitos das mulheres e da população negra.
Vera Lúcia já disputou diversas eleições, incluindo a Prefeitura de São Paulo em 2020 e a Presidência da República em 2022. Sua plataforma para o governo de São Paulo é baseada em um programa socialista, defendendo a ampliação dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores. Entre suas propostas estão a taxação de grandes fortunas e empresas, e a reversão de privatizações.
Vivian Mendes (UP): Luta popular e combate às desigualdades
Vivian Mendes, da Unidade Popular (UP), é uma das fundadoras do partido. Nascida em Guaianases, Zona Leste de São Paulo, é formada em Comunicação. Sua atuação política começou em movimentos populares, incluindo o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), e o Movimento de Mulheres Olga Benario, focado nos direitos femininos e na luta pelo socialismo.
Em 2022, Vivian disputou uma vaga no Senado por São Paulo. Em julho de 2026, foi oficializada como candidata ao governo estadual. Seus eixos de campanha incluem investimentos em saúde e educação públicas, políticas de moradia e emprego, e medidas para reduzir as desigualdades sociais. A UP se posiciona contra privatizações e defende uma maior participação popular nas decisões governamentais.
Prazos e o cenário eleitoral
A definição dos candidatos é o primeiro passo formal para a disputa eleitoral. Com as convenções partidárias encerradas, o foco agora se volta para o registro oficial das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, cujo prazo final é 15 de agosto. Este período é crucial para a validação dos nomes e a consolidação das chapas, que podem sofrer alterações até a análise definitiva.
A campanha eleitoral, que se intensificará nos próximos meses, será marcada pela apresentação detalhada das propostas e pelo debate entre os diferentes projetos para o estado. A população paulista terá a oportunidade de analisar as trajetórias e as visões de cada candidato para decidir quem comandará o Palácio dos Bandeirantes a partir de 2027. Para mais informações sobre o processo eleitoral, consulte o Tribunal Superior Eleitoral.

