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Alimentação forçada de animais é proibida no Brasil com veto ao foie gras

O Brasil deu um passo significativo na proteção animal ao proibir a produção e a comercialização de produtos derivados da alimentação forçada de animais. A medida, sancionada pelo presidente, impacta diretamente o foie gras, iguaria da culinária francesa feita com fígado gordo de pato ou ganso, que agora tem sua produção e venda, tanto in natura quanto enlatada, vedadas em território nacional.

A nova legislação, publicada no Diário Oficial da União, estabelece que o descumprimento da norma pode acarretar em punições severas, incluindo prisão de três meses a um ano e multa, conforme as disposições da Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais. A decisão posiciona o Brasil como um dos poucos países a adotar uma proibição tão abrangente.

A técnica da gavage e seus impactos nas aves

A produção do foie gras tradicionalmente emprega a técnica conhecida como gavage, que consiste na alimentação forçada das aves. Nesse método, um tubo metálico é inserido pela garganta do animal até o esôfago, por onde uma quantidade de ração significativamente maior do que a que a ave consumiria naturalmente é fornecida.

Este procedimento é geralmente realizado duas vezes ao dia, durante um período de duas a quatro semanas que antecedem o abate. Especialistas, como George Sturaro, diretor de políticas públicas da ONG Mercy For Animals, alertam que a gavage pode causar uma série de lesões na garganta, esôfago, face e bico das aves.

Além das lesões físicas, o fígado dos animais pode crescer até dez vezes o seu tamanho normal, resultando em dor intensa, alterações metabólicas e estresse térmico. Patrycia Sato, presidente da Alianima, destaca que a execução inadequada do processo agrava ainda mais o sofrimento, levando as aves a tentar fugir da abordagem dos funcionários, evidenciando o manejo violento. O deputado Fred Costa, relator do projeto, aponta que a técnica pode aumentar em até 25 vezes a taxa de mortalidade dos animais.

Brasil se destaca em proteção animal com nova legislação

Com a sanção da lei, o Brasil se torna o segundo país no mundo a proibir não apenas a produção, mas também a comercialização de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, seguindo o exemplo da Índia. Outras nações, como Reino Unido, Alemanha, Itália, Austrália e Argentina, já impõem restrições à produção dessa iguaria.

A iniciativa brasileira é vista como um avanço notável no cenário global de bem-estar animal. Patrycia Sato ressalta que o país se posiciona à frente de muitas nações que são tradicionalmente consideradas pioneiras em práticas de proteção animal, demonstrando um compromisso crescente com a ética no tratamento de seres vivos.

Cenário global e desafios para alternativas ao foie gras

Atualmente, não existem alternativas comercialmente viáveis para a produção de foie gras que dispensem o método da gavage. No entanto, a pesquisa e o desenvolvimento de novas abordagens estão em andamento, incluindo o cultivo de células em laboratório e a criação de produtos à base de plantas que buscam replicar a textura e o sabor do fígado gordo.

A proibição no Brasil, embora impacte um produto de nicho, pode estimular ainda mais a busca por essas inovações. A embaixada da França chegou a solicitar apoio da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) para evitar que o projeto também abrangesse a importação de produtos feitos com a técnica, mas a legislação foi aprovada com a proibição da comercialização.

O caminho legislativo e as implicações econômicas

O projeto de lei teve um longo percurso legislativo, sendo apresentado no Senado há seis anos e tramitando em caráter conclusivo pelas comissões, o que significa que não precisou ser votado em plenário. Natália Figueiredo, gerente de políticas públicas da World Animal Protection Brasil, explicou que esse rito agilizou a aprovação.

Internamente, a aprovação do projeto não enfrentou grandes obstáculos, em parte porque o Brasil conta com apenas três produtores que utilizam a técnica de gavage. Além disso, o foie gras é considerado uma iguaria de alto custo e elitizada, o que minimiza o impacto da proibição na alimentação da população brasileira em geral, conforme apontado por Patrycia Sato.

Redação on-line

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