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Alto Tietê: 63 homicídios ocultos em 2024 expõem desafios na identificação de mortes

A região do Alto Tietê registrou uma estimativa de 63 homicídios ocultos em 2024, conforme dados do Atlas da Violência. Este número representa 39% do total de 161 homicídios estimados para a área, levantando questões sobre a precisão na classificação de mortes violentas e os desafios enfrentados pelas autoridades na apuração de crimes. O estudo, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), utiliza uma metodologia avançada para identificar casos que, embora registrados como de causa indeterminada, podem ser, na verdade, homicídios.

A Metodologia por Trás dos Homicídios Ocultos

Os homicídios ocultos referem-se a mortes violentas que, nos registros oficiais, são classificadas como de causa indeterminada. Nesses casos, a intencionalidade do óbito — se foi homicídio, acidente ou suicídio — não pôde ser determinada formalmente. Para contornar essa lacuna, o Atlas da Violência emprega aprendizado de máquina, analisando padrões históricos e características das vítimas e das ocorrências, como idade, sexo, local e circunstâncias da morte. Essa abordagem permite estimar a probabilidade de que uma morte indeterminada seja, de fato, um homicídio. O levantamento considera 336 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes e baseia-se em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

Cenário Regional: Distribuição dos Casos no Alto Tietê

As cinco cidades do Alto Tietê incluídas no levantamento — Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá e Suzano — somaram 161 homicídios estimados em 2024. Desse total, 98 foram registrados oficialmente e 63 foram classificados como homicídios ocultos. Itaquaquecetuba se destacou com o maior volume de casos estimados na região, totalizando 52, sendo 24 deles considerados ocultos. Em Ferraz de Vasconcelos, quase metade dos homicídios estimados também correspondeu a casos ocultos, evidenciando uma tendência regional de subnotificação ou dificuldade na identificação da causa real da morte. Mogi das Cruzes, por sua vez, registrou 11 homicídios ocultos.

A Piora na Identificação e o Impacto Nacional

O Atlas da Violência aponta uma piora recente na capacidade de identificar corretamente a intencionalidade das mortes violentas no Brasil. A diferença entre a taxa estimada de homicídios e a taxa registrada oficialmente atingiu 3,3 pontos por 100 mil habitantes em 2024. Este índice é superior à média de 1,8 ponto observada entre 2014 e 2017, e também acima da média de 2,8 pontos registrada entre 2019 e 2024. Nacionalmente, o Brasil contabilizou 42.590 homicídios em 2024, resultando em uma taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. O estudo analisou 5.570 municípios, revelando que metade dos homicídios no país ocorreu em apenas 99 cidades, que representam 1,8% do total de municípios brasileiros. Para mais informações sobre o estudo, consulte o Atlas da Violência.

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