A Polícia Federal (PF) revelou, em um documento cujo sigilo foi recentemente levantado, uma série de articulações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nos dias que antecederam a deflagração da Operação Compliance Zero. As informações contidas no relatório sugerem que Vorcaro tinha conhecimento prévio da iminente ação policial, o que reforça a tese de uma tentativa de fuga.
A documentação aponta que a viagem do banqueiro ao exterior, na noite imediatamente anterior ao cumprimento dos mandados, dificilmente seria uma mera coincidência. A decisão de levantar o sigilo das principais investigações relacionadas ao Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) foi do ministro André Mendonça, atendendo a uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin. Esta medida liberou o acesso a um conjunto de inquéritos, reclamações e petições vinculados ao denominado “caso Master”.
A Operação Compliance Zero, que culminou na prisão de Daniel Vorcaro, foi precedida por uma série de eventos que, segundo a Polícia Federal, indicam que o banqueiro estava ciente da investigação. O relatório detalha como Vorcaro teria utilizado informações privilegiadas e articulado com diversos interlocutores para tentar se antecipar às ações das autoridades.
A PF ressalta que o panorama geral demonstra que Vorcaro, ao ter ciência da futura e iminente atuação policial, teria se valido de servidores do Banco Central que lhe seriam subalternos devido ao pagamento de vantagens indevidas. Estes foram supostamente usados para forçar uma reunião virtual no dia anterior à operação, em uma tentativa de influenciar os desdobramentos.
A Polícia Federal traçou uma cronologia detalhada das ações de Daniel Vorcaro, que demonstram uma intensa movimentação nos dias que antecederam sua prisão. Cada passo, desde o registro de informações até a tentativa de embarque, foi minuciosamente documentado pelas autoridades.
Daniel Vorcaro foi detido na noite de 17 de novembro do ano passado, no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, enquanto tentava embarcar em um avião particular com destino à Europa. Para a Polícia Federal, a intenção de fuga do país era evidente. Cerca de dez dias após sua prisão, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a soltura do dono do Banco Master e de outros quatro executivos da instituição.
Na decisão que concedeu a liberdade, um dos argumentos utilizados a favor do banqueiro foi o teor da reunião realizada com o Banco Central. Contudo, a PF concluiu que existem fortes elementos indicativos de condutas de Daniel Vorcaro e seus associados direcionadas a proteger o núcleo dirigente da organização criminosa, mediante conhecimento antecipado de atos processuais e articulações com interlocutores em órgãos de controle, além de um planejamento logístico para saída do país próximo à deflagração das medidas policiais.
Essas informações foram usadas pela Polícia Federal para embasar um novo pedido de prisão preventiva do banqueiro, assinado em 27 de fevereiro de 2026. Em março deste ano, Vorcaro foi preso novamente, reiterando a complexidade e a persistência da investigação em torno de suas atividades.
Um elemento adicional que trouxe maior repercussão ao caso foi a revelação de uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos sugerem que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de uma operação da Polícia Federal que o teria como alvo.
Essas mensagens estão contidas em um relatório enviado pela Polícia Federal ao STF, cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça em 1º de setembro. Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro questionou Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, o banqueiro foi preso pela PF, adicionando uma camada de complexidade e questionamentos sobre a natureza de suas interações com altas autoridades. Para mais informações sobre as operações da Polícia Federal, visite o site oficial da instituição.
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