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Cedae ignora alertas e acumula prejuízo milionário em investimentos no Banco Master

Uma sindicância interna da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) revelou um prejuízo significativo, superior a R$ 222 milhões, decorrente de investimentos no Banco Master. O relatório aponta que a Diretoria Financeira da estatal desconsiderou recomendações técnicas explícitas para resgatar os valores aplicados, mesmo diante de sinais de risco iminente.

A situação ganha contornos mais amplos com a decisão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O objetivo é investigar não apenas os aportes da Cedae, mas também os do Rioprevidência, que juntos somam quase R$ 3 bilhões em aplicações no Banco Master, levantando sérias questões sobre a gestão de recursos públicos e a supervisão de riscos financeiros.

Alertas ignorados e a escalada do prejuízo no Banco Master

O relatório da sindicância detalha que, em setembro de 2025, funcionários da Cedae emitiram alertas sobre a fragilidade dos investimentos no Banco Master. A equipe técnica recomendou o resgate integral de aproximadamente R$ 200 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da instituição. No entanto, essa orientação crucial foi desconsiderada pelo então diretor financeiro, que optou por realizar apenas retiradas parciais dos valores.

Essa decisão resultou na manutenção de grande parte do capital em um cenário de risco crescente, culminando no prejuízo agora revelado. A investigação interna sublinha a importância de seguir as análises técnicas para a proteção do patrimônio da companhia, especialmente em operações financeiras de alto volume.

Flexibilização de critérios e influência externa

A investigação interna da Cedae também trouxe à tona a possível flexibilização de critérios internos de classificação de risco da companhia. O documento sugere que, após contatos entre a diretoria da estatal e representantes do Banco Master, os parâmetros de avaliação de risco teriam sido alterados. Em outubro, o rating da instituição financeira foi rebaixado de BB- para CC, um indicativo claro de deterioração da saúde financeira do banco, o que deveria ter provocado uma ação imediata de proteção dos investimentos da Cedae.

Além disso, o relatório menciona a influência de um banqueiro em decisões estratégicas da estatal. Em um episódio anterior, técnicos da Cedae chegaram a emitir uma ordem para resgatar R$ 44 milhões. Contudo, essa determinação foi misteriosamente cancelada pouco tempo depois por assessores diretamente ligados à diretoria, levantando suspeitas sobre a autonomia das decisões técnicas e a transparência na gestão dos recursos.

Omissão de informações e a resposta dos órgãos de controle

Um dos pontos mais críticos levantados pela sindicância é a alegada omissão de informações estratégicas. O Conselho de Administração e o Comitê de Auditoria da Cedae, órgãos responsáveis pela fiscalização e governança da companhia, já haviam emitido alertas sobre os riscos inerentes às operações financeiras. No entanto, o relatório indica que dados essenciais para a tomada de decisões foram retidos desses conselhos, impedindo uma intervenção mais eficaz e tempestiva.

Diante das graves conclusões da sindicância, o presidente da Cedae recomendou o encaminhamento do relatório a diversas autoridades. O Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foram indicados como os próximos destinatários do documento. A expectativa é que esses órgãos aprofundem as investigações, apurem responsabilidades e tomem as medidas cabíveis para garantir a integridade dos recursos públicos e a responsabilização dos envolvidos. A Alerj, por sua vez, com a abertura da CPI, buscará esclarecer a extensão dos prejuízos e as circunstâncias que levaram a essa situação crítica tanto na Cedae quanto no Rioprevidência. Para mais informações sobre a regulamentação do mercado financeiro, consulte o site da CVM.

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