A cena política do Maranhão é palco de uma intensa polarização entre o atual governador, Carlos Brandão (MDB), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. O que por quase duas décadas foi uma aliança sólida, com Brandão atuando como vice-governador nas duas gestões de Dino, transformou-se em um embate que agora ecoa nos corredores do Poder Judiciário, envolvendo o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e a sucessão estadual.
A ruptura, que se desenhou gradualmente após a saída de Dino do governo para o Senado e sua posterior ascensão ao STF, culminou em confrontos diretos. O mais recente capítulo dessa disputa política envolve um pedido da defesa de Carlos Brandão ao STF para suspender uma investigação conduzida sob a supervisão do ministro Flávio Dino, que apura supostas irregularidades na indicação de Flávio Costa para o TCE-MA.
A longa parceria que antecedeu o racha
A relação política entre Flávio Dino e Carlos Brandão teve início antes mesmo da eleição de Dino para deputado federal em 2006. Brandão, conforme relatos, desempenhou um papel crucial na viabilização da candidatura do então juiz federal na região de Caxias, no Maranhão, fortalecendo os laços que os uniam.
Essa parceria se consolidou de forma expressiva quando Brandão foi eleito vice-governador nas chapas de Flávio Dino, tanto em 2014 quanto em 2018. Em abril de 2022, a dinâmica mudou quando Dino deixou o governo para concorrer ao Senado, abrindo caminho para Brandão assumir o Palácio dos Leões. No pleito daquele ano, Brandão foi eleito governador no primeiro turno, tendo Felipe Camarão como seu vice.
O início do desgaste e as primeiras tensões
Os primeiros sinais públicos de um possível desgaste na aliança surgiram durante a montagem do novo governo e, notadamente, na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema). Othelino Neto, então presidente da Casa e historicamente um aliado de Dino, optou por não buscar a reeleição para o comando do Legislativo.
Em seu lugar, Iracema Vale, que contava com o apoio de Brandão, foi eleita presidente em fevereiro de 2023. Embora Othelino tenha integrado o governo como secretário de Representação Institucional do Maranhão em Brasília, sua saída do cargo em novembro do mesmo ano para retornar ao mandato de deputado estadual evidenciou as crescentes fissuras na base aliada.
Decisões judiciais e o papel do STF
A tensão se acentuou significativamente após a posse de Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal, em fevereiro de 2024. A Corte passou a analisar ações relacionadas às regras de escolha de conselheiros do TCE-MA, e uma dessas ações ficou sob a relatoria do ministro. Em março de 2024, Dino suspendeu o andamento de um processo de indicação para o TCE-MA, em um contexto onde o governo Brandão apoiava a escolha de Flávio Costa, enquanto o grupo ligado a Dino defendia nomes como o do deputado estadual Carlos Lula (PSB).
Esse episódio alimentou críticas por parte de aliados de Brandão, que questionavam a atuação de Dino em processos com repercussão na política maranhense. O entorno do ministro, por sua vez, defendia que suas decisões eram exclusivamente jurídicas, desvinculadas de qualquer atividade partidária. A divisão também se manifestou nas eleições municipais de 2024, onde, em Colinas, reduto eleitoral de Brandão, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), ex-aliado de Dino, apoiou a candidatura de seu irmão, João Haroldo Barroso, que foi derrotado por Renato Santos, ligado ao grupo de Brandão. Nesse período, aliados de Dino perderam espaço no governo, com Felipe Camarão e Joslene Rodrigues, esposa de Márcio Jerry, deixando seus cargos.
A escalada do conflito e a sucessão estadual
A questão da sucessão estadual emergiu como um ponto central da crise. Aliados de Dino e integrantes do PT afirmavam existir um entendimento para que Brandão deixasse o governo antes do término do mandato e disputasse o Senado, o que permitiria a Felipe Camarão assumir o Palácio dos Leões. Brandão, no entanto, negou ter assumido tal compromisso e passou a articular a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), ao governo.
Em março de 2025, o governador reconheceu publicamente o afastamento de Dino, e nos meses seguintes, exonerações reduziram ainda mais a presença de aliados do ex-governador na administração estadual. A crise atingiu seu ponto mais agudo em outubro de 2025, com a divulgação de gravações envolvendo Rubens Júnior, Márcio Jerry e Diego Galdino. Brandão afirmou ter recebido uma proposta que relacionava acordos políticos a uma solução para

