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Festa do Divino 2026 em Mogi das Cruzes encerra celebrações com procissão e rituais de fé

A cidade de Mogi das Cruzes vivenciou, neste domingo (24), o ápice de sua tradicional Festa do Divino Espírito Santo de 2026. O encerramento da programação foi marcado por uma série de rituais profundos e comoventes, que reafirmaram a fé e a devoção da comunidade local. A Procissão de Pentecostes, a solene missa, a simbólica queima dos pedidos e o fechamento do Império consolidaram a celebração, que se estende por mais de quatro séculos na região.

Mesmo diante da instabilidade climática, com a presença da chuva, os fiéis não se intimidaram. As ruas da cidade foram tomadas por devotos que, com fervor, acompanharam cada etapa do cortejo, demonstrando a resiliência e a profunda conexão espiritual que caracteriza um dos eventos religiosos mais importantes do calendário mogiano.

A Procissão de Pentecostes e a Jornada dos Sete Dons

Um dos pontos centrais do encerramento foi a Procissão de Pentecostes, que percorreu as ruas de Mogi das Cruzes. O cortejo, carregado de simbolismo, realizou paradas estratégicas, cada uma representando um dos sete dons do Espírito Santo: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus. Essa jornada espiritual permitiu aos participantes refletir sobre os atributos divinos e sua aplicação na vida cotidiana.

Ao longo do percurso, a emoção era palpável. Devotos de todas as idades, muitos deles com bandeiras e vestimentas alusivas ao Divino, aguardavam ansiosamente a passagem da procissão. A união da comunidade se manifestava em cada esquina, com cânticos e orações que ecoavam, criando uma atmosfera de profunda espiritualidade e comunhão entre os presentes.

Legado de Fé e a Tradição Familiar na Celebração do Divino

A Festa do Divino Espírito Santo é um evento que transcende gerações, e a participação de famílias inteiras é um testemunho vivo dessa tradição. O aposentado Donizeti Antônio Rodrigues, por exemplo, revelou que acompanha a Procissão de Pentecostes desde a infância, um legado transmitido por seus pais. Para ele, a celebração representa o “auge do catolicismo”, uma oportunidade de rememorar o Pentecostes e a presença do Divino Espírito Santo, que ele considera o próprio Deus.

A rezadeira Tatiane Santos, moradora do Jardim Camila, também compartilhou sua experiência, destacando o sentimento de união e fé que a festa desperta. Em sua função há três anos, Tatiane expressou a crença de que “quanto mais a gente abre o coração, mais a gente sente esse amor de Deus”, descrevendo a cidade como “cheia de luz” durante o período festivo. A família Mármora, por sua vez, mantém uma tradição de mais de 80 anos, com Gioconda Mármora relatando a responsabilidade de continuar o altar do sétimo dom, o Temor de Deus, em frente à antiga residência de sua tia, Elvira Mármora, que faleceu aos 107 anos em 2017. Essa continuidade ressalta a honra e a bênção de servir ao Pai e ao Espírito Santo em uma festa que perdura por mais de 413 anos.

Rituais Finais: Queima dos Pedidos e Fechamento do Império

Após a emocionante procissão, os devotos se reuniram na Catedral de Sant’Ana para a Missa de Pentecostes, celebrada pelo bispo diocesano dom Pedro Luiz Stringhini. A catedral ficou lotada, evidenciando a intensidade da fé dos participantes e a importância da liturgia para a comunidade.

O encerramento oficial da festa prosseguiu na praça coronel Benedito de Almeida, com a simbólica queima dos pedidos. Esses pedidos, coletados ao longo do ano nas urnas das rezadeiras durante as visitas às casas dos devotos, representam as esperanças, agradecimentos e súplicas da comunidade. A incineração é um gesto de entrega e renovação da fé.

O ponto culminante foi o fechamento do Império, um ato solene conduzido pelo bispo dom Pedro Luiz Stringhini, juntamente com os festeiros Ricardo Medina Alvarez e Maria de Lourdes Pereira da Silva Medina, e os capitães-de-mastro Maurício de Lima Ramos e Tavane Prado Rodrigues Ramos. Este ritual marca o fim de um ciclo de celebrações e o início da expectativa para a próxima edição.

Superando Desafios e o Legado Duradouro da Festa

Os dez dias intensos da Festa do Divino deixaram uma marca de saudade, mas também a certeza da presença contínua do Espírito Santo, conforme destacou o bispo dom Pedro Luiz Stringhini. Ele ressaltou a inabalável fé dos devotos, que não se deixaram abater pela chuva, participando ativamente das orações, cânticos e encontros. “De chuva, sem chuva, nós vamos rezar, nós vamos cantar, nós vamos nos encontrar, nós vamos festejar o Divino Espírito Santo”, afirmou o bispo, evidenciando que as condições climáticas não diminuíram o fervor da celebração.

A festeira Maria de Lourdes Pereira da Silva Medina expressou a preocupação inicial com a quermesse, vital para as entidades beneficentes que operam as barracas e dependem da arrecadação para cobrir custos. No entanto, ela celebrou o sucesso do evento, afirmando que a Procissão de Pentecostes e toda a festa foram um êxito. “A gente conseguiu entregar, né? Cumprir com a nossa missão que foi levar a paz pra todo mundo”, concluiu a festeira, reforçando o sentimento de dever cumprido e a esperança de que a mensagem de paz e fé permaneça nos corações de todos. Para mais informações sobre a tradição, consulte a história da Festa do Divino.

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