A Câmara dos Deputados deu um passo significativo em direção a uma nova realidade para milhões de trabalhadores brasileiros ao aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada de trabalho semanal e pôr fim à controversa escala 6×1. O texto, que agora segue para o Senado Federal, representa uma mudança estrutural nas relações trabalhistas do país, com impactos esperados na qualidade de vida e na saúde dos empregados.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, expressou otimismo quanto à rápida tramitação da matéria no Senado, manifestando a expectativa de que a PEC possa ser promulgada ainda no primeiro semestre deste ano. A celeridade na aprovação pela Câmara, com ampla maioria em ambos os turnos de votação, reflete a urgência e a sensibilidade do tema perante o parlamento.
Aprovação na Câmara e Expectativas para o Senado
A Proposta de Emenda à Constituição foi aprovada com expressiva votação no plenário da Câmara dos Deputados. No primeiro turno, o placar foi de 472 votos a favor e 22 contra, enquanto no segundo turno, a aprovação se deu por 461 votos a 19. Essa margem robusta demonstra um consenso considerável entre os deputados sobre a necessidade das alterações propostas.
Após a votação na Câmara, o ministro Luiz Marinho comentou sobre o andamento do projeto, ressaltando a importância de não interferir nos prazos do Legislativo. Contudo, ele indicou que, se o Senado dedicar a mesma prioridade e agilidade demonstradas pela Câmara, a aprovação na casa revisora poderia ocorrer em aproximadamente 30 dias. O ministro percebe o Senado “sensível” à discussão, que tem sido impulsionada por mulheres e jovens trabalhadores. Acompanhe as últimas notícias sobre legislação trabalhista no G1.
As Mudanças Propostas na Constituição para a Jornada de Trabalho
A PEC aprovada na Câmara dos Deputados promove alterações diretas na Constituição Federal, especificamente na seção que trata dos Direitos e Garantias Fundamentais dos trabalhadores. O principal ponto é a fixação de uma nova duração para a jornada de trabalho normal.
Com a proposta, a Constituição passará a prever que a duração do trabalho não excederá oito horas diárias e quarenta horas semanais. O texto, no entanto, mantém a flexibilidade para permitir compensações de horários e a possibilidade de redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho, garantindo a adaptabilidade às diversas realidades setoriais.
Implementação Gradual e o Fim da Escala 6×1
Para garantir uma transição suave e permitir a adaptação das empresas, a redução da jornada de trabalho será implementada em etapas. As primeiras duas horas da jornada semanal serão reduzidas em até dois meses após a promulgação da PEC. As quatro horas restantes serão implementadas em até 12 meses após a primeira redução.
Além da redução da jornada, a PEC estabelece o fim da escala 6×1, assegurando aos trabalhadores o direito a, no mínimo, duas folgas remuneradas por semana. A preferência é que uma dessas folgas ocorra aos domingos. Essa mudança entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto, com a garantia de que pelo menos um dos dias de folga seja concedido dentro do período máximo de uma semana de trabalho.
O Debate sobre o Período de Transição
O período de transição para a implementação das novas regras foi um dos pontos mais debatidos durante a tramitação da PEC. Inicialmente, o governo havia manifestado resistência à ideia de uma transição gradual, mas um acordo foi alcançado para permitir que empresários e confederações de empregadores tivessem tempo para se adequar às novas exigências.
O relator da proposta incluiu uma cláusula importante que determina que, 60 dias após a promulgação da PEC, todas as convenções e acordos coletivos que sejam incompatíveis com as novas jornadas perderão automaticamente a validade. Este mecanismo visa estimular sindicatos e empresas a renegociarem seus termos, alinhando-os à nova legislação e garantindo a efetividade das mudanças.

