O julgamento do policial militar Thiago Cavalcante de Melo, acusado de assassinar Matheus Nunes Siqueira, de 22 anos, foi adiado para 12 de novembro de 2026. A sessão do júri popular, que aconteceria em Santa Isabel, foi cancelada nesta quinta-feira (28) devido a uma contestação da defesa sobre a conduta de um promotor.
A decisão de remarcar o processo, que já se estende por anos, gerou repercussão e levantou debates sobre os procedimentos legais em casos de grande sensibilidade. A família da vítima expressou a dor contínua e a busca por um desfecho justo para o caso.
O juiz Carlos Eduardo de Moraes Domingos foi o responsável por cancelar a sessão e dissolver o conselho de sentença. A medida foi tomada após a defesa de Matheus Nunes Siqueira alegar que um dos promotores do caso teria conversado com uma testemunha antes do depoimento.
Segundo a defesa, essa interação prévia poderia comprometer a imparcialidade do testemunho. O promotor, por sua vez, justificou que a conversa ocorreu a pedido dos advogados da testemunha, com o objetivo de tranquilizá-la em relação ao depoimento. O Ministério Público discordou da decisão judicial, argumentando que não houve prejuízo processual na ação do promotor.
O crime que resultou na morte de Matheus Nunes Siqueira ocorreu em 20 de abril de 2022. Na ocasião, Matheus e um amigo estavam em um posto de combustível em Santa Isabel quando foram abordados por Thiago Cavalcante de Melo e outro policial, ambos à paisana.
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP), durante a abordagem, um dos policiais teria interpretado que um dos jovens tentaria sacar uma arma e, em resposta, efetuou um disparo. Matheus foi atingido na cabeça e, apesar de ter sido socorrido, não resistiu aos ferimentos. O incidente foi registrado por câmeras de segurança, fornecendo elementos cruciais para a investigação.
O caso tem sido acompanhado de perto pela família de Matheus e pela comunidade. Anteriormente, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) havia absolvido um dos envolvidos, enquanto Thiago Cavalcante de Melo, o autor do disparo, respondia ao processo em liberdade.
Diogo Baptista Nunes Neto, tio de Matheus, compartilhou a angústia da família em relação ao adiamento. Ele ressaltou a expectativa por justiça e o desejo de encontrar algum alívio para a perda irreparável. “A gente perdeu a continuidade da nossa família, é o único filho da minha irmã. Eu acredito que hoje a gente quer ter um alívio. Sei que não vou ter meu sobrinho de volta, a família sabe que a gente não vai ter a vida do Mateus de volta, mas esse é o mínimo que pode trazer de conforto para a nossa família”, declarou Diogo, evidenciando a busca por um encerramento digno para o trágico episódio. Leia mais sobre casos semelhantes no portal G1.
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