- Continua depois da publicidade -
prefeitura-de-aruja

Prevenção à violência escolar: convivência e escuta são pilares, diz especialista

A prevenção de diversas formas de violência no ambiente escolar exige uma abordagem integrada que valorize a convivência, a escuta ativa e a participação estudantil. Essa foi a principal tese defendida pela professora e pesquisadora Telma Vinha, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante sua palestra no 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê. O evento, transmitido virtualmente, focou em estratégias para enfrentar os desafios da violência nas e contra as escolas, ressaltando a importância de um trabalho contínuo e planejado.

A especialista enfatizou que a gestão de conflitos e o aprimoramento das relações interpessoais devem ser incorporados de forma intencional no cotidiano educacional. Para ela, essa atuação deve se desdobrar em três frentes essenciais, garantindo que a prevenção seja um esforço abrangente e bem-estruturado, envolvendo todos os atores da comunidade escolar.

Construindo a convivência: uma abordagem multifacetada na prevenção

A pesquisadora Telma Vinha detalhou que o trabalho de prevenção deve ser desenvolvido em três dimensões interligadas. A primeira é a frente institucional, que implica em incorporar a convivência escolar como um pilar fundamental na formação dos educadores, no projeto político-pedagógico da instituição e em ações práticas como a mediação de conflitos e a realização de assembleias estudantis. Isso garante que a cultura de paz e respeito seja formalmente estabelecida e praticada.

A segunda dimensão é a curricular, que propõe integrar as questões de convivência e resolução de conflitos ao campo do conhecimento e da reflexão em sala de aula. Ao abordar esses temas de forma pedagógica, os estudantes são incentivados a desenvolver habilidades socioemocionais e a compreender a importância do diálogo. Por fim, a frente relacional foca na comunicação eficaz, no cuidado mútuo e na maneira construtiva de enfrentar os desafios interpessoais, fortalecendo os laços entre alunos, professores e toda a comunidade escolar.

Estratégias preventivas na educação infantil e ensino fundamental

Para as fases iniciais da educação, como a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental, a especialista sublinhou o caráter eminentemente preventivo das ações. Nesse período, o foco deve estar em atividades que estimulem a expressão de sentimentos, a discussão de dilemas éticos e morais, e o uso da literatura como ferramenta para explorar diferentes perspectivas. Propostas colaborativas para a resolução de problemas são cruciais, pois levam as crianças a conversar, negociar e buscar soluções em conjunto, desenvolvendo desde cedo a capacidade de lidar com divergências de forma pacífica.

Essas práticas, ao serem implementadas de forma consistente, contribuem para a construção de um ambiente onde a empatia e o respeito são valores centrais. A intenção é criar uma base sólida para que os estudantes desenvolvam habilidades sociais que os acompanharão ao longo de toda a vida escolar e pessoal, minimizando a incidência de conflitos e violências.

O papel crucial da formação de educadores e do apoio familiar na prevenção

A palestrante também fez um alerta sobre a necessidade premente de capacitar os profissionais da educação para lidar com as complexas situações de violência e conflito. Sem um planejamento e uma intencionalidade claros nessas áreas, os esforços podem se tornar ineficazes, resultando em uma abordagem reativa em vez de proativa. A formação contínua dos educadores é vista como um investimento essencial para que eles se sintam preparados e seguros ao mediar conflitos e promover um ambiente escolar saudável.

Além disso, Telma Vinha defendeu que os trabalhos de comunicação e prevenção desenvolvidos com professores e estudantes devem, obrigatoriamente, envolver as famílias. A parceria entre escola e família é um pilar fundamental para criar uma rede de apoio robusta, garantindo que os valores e as estratégias de convivência sejam reforçados tanto em casa quanto na escola, ampliando o impacto das ações preventivas.

Exemplos de sucesso: ações municipais na prevenção da violência escolar

Durante o fórum, diversas experiências bem-sucedidas de redes municipais foram compartilhadas, demonstrando a aplicabilidade das estratégias discutidas. A secretária de Educação de Itaquaquecetuba destacou a atuação integrada da rede de proteção às infâncias, que articula diferentes setores para garantir o bem-estar dos estudantes. Já a secretária de Suzano apresentou o programa Prevenir a Violência Escolar, uma iniciativa dedicada a acompanhar alunos em situações de vulnerabilidade ou que possam indicar risco de violência, oferecendo suporte e intervenção precoce.

Em Mogi das Cruzes, o diretor do Departamento Pedagógico mencionou os Conselhos Mirins, uma iniciativa que promove a participação ativa das crianças nas discussões e na formulação de propostas para o cotidiano escolar. Essas iniciativas reforçam a ideia de que a participação estudantil e o engajamento comunitário são ferramentas poderosas na construção de ambientes escolares mais seguros e acolhedores. O 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê, coordenado pelo Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA) com apoio da Unesco, reúne mais de cinco mil profissionais e continuará abordando temas relevantes para a educação pública.

Para mais informações sobre o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região, acesse: CONDEMAT+.

InícioAlto TietêPrevenção à violência escolar: convivência e escuta são pilares, diz especialista