A percepção pública sobre a capacidade de influência em questões de política externa tem sido objeto de análise recente no Brasil. Um levantamento conduzido pela Genial/Quaest revelou um cenário de ceticismo entre os brasileiros quanto à habilidade do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em negociar a reversão de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos nacionais. A pesquisa, divulgada em um contexto de tensões comerciais, oferece um panorama detalhado da opinião da população sobre a dinâmica das relações internacionais e seus desdobramentos internos.
O estudo, realizado entre os dias 10 e 13 de julho, antes da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% ao Brasil em 15 de julho, buscou capturar a visão dos cidadãos sobre a atuação política em um tema de grande impacto econômico. Os resultados apontam para uma divisão clara na percepção da força política para influenciar decisões internacionais.
Ceticismo público sobre a influência nas tarifas
A pesquisa Genial/Quaest indicou que 58% dos brasileiros consideram que Flávio Bolsonaro não possui a força necessária para convencer o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a reconsiderar as tarifas contra produtos brasileiros. Em contraste, 34% dos entrevistados avaliam que o senador teria capacidade para conseguir a reversão dessas medidas. Uma parcela de 8% não soube ou não quis responder à questão.
O levantamento foi realizado presencialmente com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, apresentando uma margem de erro estimada de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Além disso, a pesquisa revelou que a maioria dos brasileiros, 57%, desconhecia a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos com o objetivo de discutir as tarifas propostas por Trump, enquanto 43% afirmaram ter conhecimento da iniciativa.
Impacto das tarifas na intenção de voto
As tarifas impostas pelos Estados Unidos também foram analisadas sob a ótica de seu potencial impacto na intenção de voto dos eleitores brasileiros. O levantamento da Quaest questionou os entrevistados sobre como o “tarifaço” afetava sua vontade de votar em determinados candidatos. Os dados mostram uma inclinação maior para um dos nomes mencionados.
Quando perguntados sobre quem o “tarifaço” aumentaria a vontade de votar, 42% dos entrevistados apontaram para Lula, em comparação com 39% na rodada de junho. Já para o senador Flávio Bolsonaro, o índice foi de 27%, uma queda em relação aos 30% registrados no mês anterior. Outros candidatos mantiveram 23% da preferência, e 8% não souberam ou não responderam.
Diferentes narrativas sobre a origem das tarifas
A pesquisa também explorou a concordância dos entrevistados com as explicações apresentadas por dois líderes políticos sobre a motivação das novas tarifas. Um dos líderes, Lula, argumenta que as medidas são uma retaliação ao Pix, enquanto o senador Flávio Bolsonaro atribui as tarifas às declarações de Lula contra os Estados Unidos.
No panorama geral, 49% dos brasileiros concordam mais com a narrativa de Lula de que as tarifas são uma retaliação ao Pix, um aumento em relação aos 46% de junho. Por outro lado, 33% concordam mais com a explicação de Flávio Bolsonaro, que viu seu índice cair de 36%. Uma parcela de 10% não concordou com nenhum dos dois, e 8% não souberam ou não responderam.
Entre os eleitores que se declaram independentes, a concordância com a tese de Lula da retaliação ao Pix foi de 44%, subindo de 39% em junho. Já a concordância com a visão de Flávio Bolsonaro, que atribui as tarifas a declarações políticas, foi de 24% entre os independentes, uma leve queda de 26% em relação ao mês anterior. Cerca de 17% dos independentes não concordaram com nenhuma das explicações, e 15% não souberam ou não responderam.
Variações de concordância entre grupos políticos
A análise da Quaest também detalhou as mudanças na concordância com as narrativas sobre as tarifas entre diferentes segmentos políticos. Na direita não bolsonarista, a parcela que concorda com a explicação de Flávio Bolsonaro para as tarifas caiu de 75% para 67%. No mesmo grupo, a concordância com a tese de Lula oscilou de 11% para 15%.
Entre os eleitores bolsonaristas, o apoio à explicação de Flávio Bolsonaro recuou de 87% para 82%. A concordância com a narrativa de Lula, por sua vez, aumentou de 1% para 4% dentro deste grupo. Esses dados ilustram as nuances da opinião pública e a forma como diferentes bases eleitorais interpretam os eventos de política internacional e suas implicações internas. Saiba mais sobre o comércio exterior brasileiro.
