A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (7) a 6ª fase da Operação Unha e Carne, que coloca sob os holofotes Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado. A investigação mira um suposto e vultoso esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado a impressionante cifra de R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis. Em um desdobramento que adiciona complexidade ao cenário político, a ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe do senador Flávio Bolsonaro (PL), foi anunciada como a primeira suplente na chapa de Canella para o Legislativo Federal.
A formalização da indicação de Rogéria Bolsonaro, que remonta a um acordo costurado em fevereiro de 2026, consolida uma aliança política de peso que agora se vê diretamente impactada pelo escrutínio da Polícia Federal. Nos bastidores, fontes ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro já manifestam uma crescente preocupação com a potencial repercussão negativa da operação, temendo os efeitos sobre a imagem do senador e de seus aliados em um ano eleitoral crucial.
A Operação Unha e Carne e as Acusações contra Márcio Canella
A 6ª fase da Operação Unha e Carne representa um avanço significativo nas investigações sobre crimes financeiros de grande escala. Deflagrada pela Polícia Federal, a operação se concentra em um complexo esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as apurações, teria desviado e legalizado recursos ilícitos através de uma vasta rede de postos de combustíveis. As evidências preliminares apontam para a movimentação de R$ 7,6 bilhões, um volume que sublinha a gravidade das acusações e a sofisticação da estrutura criminosa.
No centro desta investigação está Márcio Canella, que, como ex-prefeito de Belford Roxo, ocupava uma posição de influência política. A apuração sugere a conivência de agentes públicos, o que eleva o patamar de preocupação e a necessidade de transparência. Canella renunciou ao cargo de prefeito em abril de 2026, com a intenção declarada de disputar uma vaga no Legislativo Federal, um movimento que agora ganha novos contornos à luz das investigações. Além do ex-prefeito, o ex-secretário Marcus Amim também é alvo da operação, indicando uma possível ramificação do esquema dentro da administração municipal. Saiba mais sobre as operações da Polícia Federal.
Rogéria Bolsonaro na Chapa de Canella: Uma Aliança Estratégica
A inclusão de Rogéria Bolsonaro como primeira suplente na chapa de Márcio Canella ao Senado não é um fato isolado, mas o resultado de uma articulação política estratégica. O acordo para sua indicação foi costurado em fevereiro de 2026, com a participação ativa do senador Flávio Bolsonaro, que tem sido o principal articulador e apoiador da campanha de Canella. Essa aliança visa fortalecer a base eleitoral do ex-prefeito e consolidar o apoio de um dos grupos políticos mais influentes do país.
Com uma trajetória política própria, Rogéria Bolsonaro exerceu dois mandatos como vereadora no Rio de Janeiro, entre 1993 e 2000, e filiou-se ao PL em 2022. Sua presença na chapa de Canella não apenas adiciona um nome de peso, mas também reforça o alinhamento do ex-prefeito com o grupo bolsonarista. Este alinhamento tornou-se ainda mais evidente após o rompimento político de Canella com seu antigo aliado, Waguinho, o atual prefeito de Belford Roxo, nas eleições de 2022, buscando novas parcerias para sua ascensão política.
Repercussão Política e os Desafios da Campanha
A deflagração da Operação Unha e Carne e o envolvimento de Márcio Canella geraram um imediato impacto no cenário político, levantando questionamentos sobre a viabilidade de sua candidatura e as consequências para seus aliados. Fontes ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro, que é uma figura proeminente e presidenciável, já expressam publicamente a preocupação com a repercussão negativa que a investigação pode acarretar. A imagem do senador e de todo o grupo bolsonarista pode ser afetada, especialmente em um período pré-eleitoral.
Apesar das investigações, a proximidade entre Canella e o clã Bolsonaro foi reafirmada recentemente. Na sexta-feira (3), Canella esteve ao lado de Flávio Bolsonaro no 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, onde foi publicamente apresentado e destacado como um dos candidatos do partido ao Senado. Este evento, ocorrido poucos dias antes da operação, sublinha a solidez da aliança, que agora terá de navegar pelas águas turbulentas de uma investigação federal de grande porte, testando a resiliência e a estratégia política dos envolvidos.

