Uma nova pesquisa Quaest trouxe à tona a percepção dos brasileiros sobre as recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, revelando que a maioria da população atribui a responsabilidade por essas medidas a Flávio Bolsonaro. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (16), aprofunda o debate político em torno do tema, que tem sido palco de acusações entre os campos de Lula e Bolsonaro.
Os resultados indicam uma consolidação da narrativa que responsabiliza o filho do ex-presidente, com um aumento na porcentagem de eleitores que concordam com a versão apresentada pelo atual presidente. Essa dinâmica sugere um cenário desafiador para a imagem de Flávio Bolsonaro no contexto da política externa e econômica.
Atribuição de responsabilidade pelas tarifas
A pesquisa Quaest questionou os eleitores sobre quem seria o principal motivador do chamado “tarifaço”. As opções apresentadas foram a versão de Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter solicitado sanções a Donald Trump contra o Brasil, e a versão de Flávio, que alega que Lula teria provocado os Estados Unidos com suas declarações. Os dados mostram uma clara inclinação da opinião pública.
Um total de 51% dos entrevistados concordou com a versão de Lula, enquanto 30% apoiaram a de Flávio Bolsonaro. Comparado ao levantamento anterior, de junho, a adesão à tese de Lula aumentou de 47%, e a de Flávio oscilou negativamente de 35%, indicando uma mudança na percepção dentro da margem de erro. A parcela de eleitores que não soube ou não respondeu foi de 6%.
Motivação das sanções: Pix ou declarações presidenciais?
Além da responsabilidade, a pesquisa também investigou a percepção sobre o motivo das tarifas. A disputa de narrativas aqui se concentra em duas explicações: a de Lula, que sugere que as medidas seriam uma retaliação ao sistema de pagamentos Pix, e a de Flávio Bolsonaro, que atribui as tarifas a declarações críticas do presidente brasileiro contra os Estados Unidos.
Neste ponto, 49% dos brasileiros concordam com a versão de Lula, enquanto 33% aceitam a de Flávio Bolsonaro. Em junho, essa diferença era de 46% a 36%, respectivamente, mostrando um reforço da narrativa de Lula. Outros 10% não concordaram com nenhuma das versões, e 8% não souberam ou não responderam.
Viagem de Flávio Bolsonaro e o ceticismo popular
Apesar da repercussão do tema, a pesquisa revelou que a maioria dos brasileiros, 57%, não estava ciente da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para discutir as tarifas diretamente com Donald Trump. Entre aqueles que tinham conhecimento da visita, o ceticismo sobre sua capacidade de influência foi predominante.
Cerca de 58% dos entrevistados que sabiam da viagem acreditam que Flávio Bolsonaro não possui força política para convencer Trump e o governo americano a reverter as tarifas contra o Brasil. Apenas 34% demonstraram confiança em sua capacidade de intervenção, com 8% não sabendo ou não respondendo.
Impacto econômico percebido pelos brasileiros
A pesquisa Quaest também buscou entender como os brasileiros percebem o impacto direto das novas tarifas em suas vidas. A preocupação com as consequências econômicas é um fator significativo, com a maioria da população expressando temor pelos efeitos das sanções.
Um total de 63% dos entrevistados acredita que as tarifas impostas por Trump aos produtos brasileiros prejudicarão sua vida ou a de sua família. Este número representa um aumento em relação aos 55% registrados em junho, indicando uma crescente apreensão. Apenas 31% não acreditam em prejuízos, e 6% não souberam ou não responderam.
O levantamento da Quaest foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-07181/2026. Para mais informações sobre pesquisas de opinião, consulte fontes confiáveis como g1.globo.com/politica.
