Uma recente pesquisa realizada pela Quaest e divulgada nesta quarta-feira (15) trouxe à tona a percepção do público sobre o desentendimento familiar envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e seu enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os resultados indicam uma tendência de apoio majoritário a Michelle, revelando o impacto do episódio na opinião dos eleitores.
O levantamento, que analisou a reação dos entrevistados após a divulgação de vídeos por Michelle, oferece um panorama sobre como o público avalia a conduta de ambos e as possíveis consequências para o cenário político, especialmente entre a base eleitoral alinhada à direita.
A percepção pública sobre o desentendimento
A pesquisa Quaest apontou que uma parcela significativa dos entrevistados tende a concordar mais com Michelle Bolsonaro no atrito com o senador Flávio Bolsonaro. Especificamente, 42% dos ouvidos demonstraram maior alinhamento com a ex-primeira-dama, enquanto 18% manifestaram concordância com Flávio. Uma pequena parcela de 3% afirmou concordar parcialmente com ambos, e 22% não concordaram com nenhum dos dois. Outros 15% não souberam ou não quiseram responder à questão.
A visibilidade do caso foi notável, com 49% dos entrevistados já cientes dos vídeos divulgados por Michelle antes da pesquisa. Os 51% restantes tomaram conhecimento do episódio no momento da entrevista, sublinhando a capacidade de repercussão do ocorrido.
Repercussão dos vídeos e a decisão de Michelle Bolsonaro
A decisão de Michelle Bolsonaro de tornar público o desentendimento foi avaliada de forma dividida, mas com uma leve inclinação positiva. Cerca de 45% dos entrevistados consideraram que ela agiu corretamente ao divulgar os vídeos, enquanto 38% discordaram, afirmando que ela errou. Os 17% restantes não souberam ou não quiseram expressar uma opinião sobre o assunto.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, destacou que o incidente parece ter gerado um certo desgaste na base potencial de Flávio Bolsonaro, especialmente entre eleitores de direita e bolsonaristas. Segundo Nunes, 35% da direita e 20% do bolsonarismo consideram que Michelle acertou ao divulgar os vídeos, indicando uma fissura interna na base de apoio. O diretor também ressaltou que 53% dos eleitores de direita acreditam que a participação direta de Michelle na campanha aumentaria as chances de vitória de Flávio, evidenciando seu peso político.
O histórico do atrito familiar
O atrito entre Michelle e Flávio Bolsonaro veio a público em 24 de junho, quando a ex-primeira-dama utilizou suas redes sociais para relatar ter sido maltratada, desrespeitada e humilhada pelo enteado durante uma conversa telefônica. A divergência central girava em torno de alianças eleitorais do PL no Ceará. Michelle mencionou que os dois não se comunicavam desde o fim de 2025 e que, após a discussão, interpretou que Flávio não desejava seu apoio à pré-candidatura ou o considerava irrelevante.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro pediu desculpas publicamente, afirmando que não teve a intenção de ofendê-la. No dia seguinte, Michelle buscou amenizar a situação, negando a existência de uma “briga” ou “competição” e assegurando que ambos trabalhariam juntos nas eleições. Em 30 de junho, a ex-primeira-dama anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, justificando a decisão pela necessidade de se dedicar aos cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a filha.
Implicações políticas e o futuro de Michelle Bolsonaro
Antes da escolha de Flávio como pré-candidato, Michelle Bolsonaro era frequentemente mencionada como um dos possíveis nomes da direita para disputar a Presidência. Atualmente, ela é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, embora sua candidatura ainda não esteja confirmada. A pesquisa também explorou a percepção sobre o impacto de sua participação na campanha de Flávio.
Os dados revelam que 38% dos entrevistados acreditam que a participação direta de Michelle aumentaria as chances de vitória de Flávio, enquanto 47% pensam o contrário. Outros 15% não souberam ou não responderam. Quanto às motivações de Michelle para a publicação dos vídeos, 34% sugeriram que seria o desejo de se candidatar à Presidência no lugar de Flávio. Outros 16% apontaram a busca por responder a ataques e desrespeitos, e 25% indicaram oposição a alianças políticas. Uma pequena parcela de 4% citou todos os motivos, 2% outras motivações, e 19% não souberam ou não quiseram responder.
O levantamento da Quaest, encomendado pelo Banco Genial, ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026. Para mais informações sobre pesquisas políticas, clique aqui.
