Em um debate recente promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), defendeu a adoção de uma política de segurança pública similar à implementada em El Salvador. A proposta central de Zema envolve o que ele chamou de “encarceramento em massa” como estratégia para combater o crime organizado no país.
A discussão, realizada em São Paulo, serviu de palco para o político apresentar suas visões sobre o enfrentamento da criminalidade. Além do encarceramento em larga escala, Zema mencionou a classificação de integrantes de facções criminosas como terroristas e o endurecimento das penas como medidas essenciais para uma drástica redução dos índices de violência no Brasil.
A Proposta de Segurança Pública de Zema e o “Choque” Necessário
A visão de Zema para a segurança pública brasileira é pautada na necessidade de um “choque” que transforme radicalmente o cenário atual. Ele argumenta que a experiência de El Salvador representa o modelo mais bem-sucedido na história recente para a redução de homicídios e criminalidade, citando uma queda significativa nos índices de violência em um período relativamente curto.
O pré-candidato detalhou que, em sua proposta, indivíduos ligados a facções ou organizações criminosas seriam enquadrados como terroristas. Essa classificação implicaria em uma pena mínima de 25 anos, sem direito a benefícios, conforme o modelo que ele observou. A estratégia visa a colocar “bandido atrás das grades”, como ele enfatizou em sua declaração.
O Modelo Salvadorenho: Características e Resultados Alegados
El Salvador, um país da América Central que já foi considerado um dos mais perigosos do mundo, implementou um regime de exceção que permitiu detenções sem mandados judiciais. Essa política, liderada pelo presidente Nayib Bukele, reeleito com ampla maioria de votos, é marcada por uma abordagem linha-dura contra o crime.
Um dos símbolos dessa política é uma megaprisão de segurança máxima, projetada para abrigar dezenas de milhares de detentos. Zema destacou que, em poucos anos, o país conseguiu uma redução expressiva na taxa de homicídios e criminalidade, um feito que ele considerou inédito em escala global.
Controvérsias e Preocupações com Direitos Humanos
Apesar dos resultados apontados por seus defensores, o modelo de segurança pública de El Salvador não está isento de críticas e controvérsias. Organizações de direitos humanos têm levantado sérias preocupações sobre as violações de garantias individuais no país.
Estimativas de entidades de direitos humanos indicam que milhares de pessoas inocentes podem ter sido detidas sob o regime de exceção. Essas denúncias ressaltam o debate sobre o equilíbrio entre a eficácia no combate ao crime e a preservação dos direitos fundamentais da população.
A Visita de Zema a El Salvador e Suas Percepções
Para embasar sua defesa do modelo, Zema relatou ter visitado El Salvador no ano anterior, acompanhado do secretário de Segurança Pública de Minas Gerais. Durante a viagem, ele afirmou ter conversado com diversos moradores em comunidades, em diferentes contextos cotidianos.
Segundo o pré-candidato, todas as pessoas com quem interagiu aprovaram as mudanças implementadas pelo governo salvadorenho, sem exceção. Essa percepção reforçou sua convicção de que medidas semelhantes poderiam ser aplicadas com sucesso no Brasil para enfrentar a crise de segurança.
Contexto Político e Críticas Gerais
No mesmo discurso, Zema aproveitou a oportunidade para fazer críticas mais amplas ao cenário político brasileiro. Ele manifestou desaprovação a políticos que mantêm proximidade com indivíduos denunciados e ao uso de relações familiares para fins eleitorais ou de gestão.
O pré-candidato enfatizou a importância da competência sobre os laços de parentesco ou amizade na administração pública. Em um cenário de pré-campanha, onde pesquisas de intenção de voto como a Datafolha apontam diferentes níveis de apoio entre os potenciais candidatos, a proposta de Zema busca posicioná-lo como uma alternativa com foco em uma segurança pública mais rigorosa.

