A região do Alto Tietê enfrenta um cenário de envelhecimento significativo de sua frota veicular, com quase três em cada dez veículos possuindo mais de duas décadas de fabricação. Este dado, que representa uma parcela considerável do total de automóveis, motocicletas e outros transportes, levanta discussões sobre os impactos na segurança viária, na mobilidade urbana e na economia local. Especialistas alertam para a crescente necessidade de manutenção preventiva e para os desafios que a infraestrutura viária enfrenta diante dessa realidade.
O panorama regional revela que um total de 227.898 veículos no Alto Tietê têm mais de 20 anos, o que corresponde a 28,8% da frota total da região, que soma 792.215 unidades. Enquanto isso, apenas uma pequena parcela, 15,7% (124.207 veículos), possui até cinco anos de fabricação, indicando uma predominância de veículos mais antigos nas ruas e estradas da área.
Envelhecimento da frota do Alto Tietê: um panorama detalhado
Os dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) mostram uma concentração de veículos mais antigos em diversas cidades da região. Mogi das Cruzes, por exemplo, lidera em números absolutos, com 64.434 veículos com mais de 20 anos, o que representa 25,8% de sua frota municipal. A cidade também possui a maior frota total do Alto Tietê, com 249.540 veículos, incluindo 151.763 carros e 37.379 motocicletas.
Proporcionalmente, Salesópolis se destaca com a maior porcentagem de veículos antigos. Dos 11.270 veículos registrados na cidade, 4.953 (43,9%) têm mais de duas décadas de uso. Outras cidades importantes da região, como Suzano e Itaquaquecetuba, também contribuem para o cenário geral, com frotas de 145.562 e 144.751 veículos, respectivamente. A região conta ainda com quase 129 mil motocicletas em circulação.
Desafios da mobilidade e segurança com veículos antigos
O envelhecimento da frota é um reflexo direto do cenário econômico, conforme apontado pelo especialista em trânsito Paulo Castilho. Em períodos de instabilidade, o poder de compra diminui, e a renovação dos veículos se torna menos frequente. Essa condição impõe uma demanda maior por manutenção preventiva, essencial para evitar panes mecânicas e acidentes, que podem gerar congestionamentos e comprometer a segurança viária.
A falta de manutenção adequada em veículos antigos aumenta a probabilidade de problemas em itens de segurança cruciais, como freios, pneus e sistema elétrico. Embora as condições do sistema viário, como a necessidade de ampliar vias e construir novas ligações, sejam as principais causas das lentidões, o crescimento da frota nas últimas duas décadas não foi acompanhado por investimentos proporcionais em infraestrutura de mobilidade. Para o especialista, a tendência é que esses problemas persistam e se intensifiquem se não houver um planejamento adequado.
Salesópolis se destaca pela tradição de colecionadores de clássicos
Apesar de possuir a menor frota do Alto Tietê, Salesópolis apresenta uma particularidade: a alta proporção de veículos com mais de 20 anos reflete uma forte tradição de colecionadores de carros antigos na cidade. Um exemplo dessa paixão é a professora Michele Matos, proprietária de dois Fuscas, modelos de 1982 e 1986. Seu interesse por esses clássicos começou na infância e se tornou um hobby familiar, que se estendeu ao filho, Thiago Tadeu de Matos, que possui uma Belina.
Michele Matos é a fundadora do Clube do Fusca de Salesópolis, uma iniciativa que promove encontros de carros antigos e ações sociais ao longo do ano, como o “Arraiá do Fusca” e o “Natal Solidário do Fusca”. Um dos eventos organizados pelo clube chegou a reunir cerca de 600 veículos, demonstrando a força dessa comunidade. A paixão pelos veículos clássicos é transmitida de geração em geração, com a filha de Michele, de apenas 6 anos, já participando e conquistando troféus em exposições. A professora ainda nutre o sonho de ter um Fusca rosa, evidenciando a profundidade de seu apreço por esses automóveis históricos.
Para mais informações sobre a frota veicular e mobilidade na região, consulte o g1 Mogi das Cruzes e Suzano.

