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Bloqueio de bens e nova investigação marcam planos de Eduardo Cunha para 2026 em MG

O ex-deputado federal Eduardo Cunha, figura central em momentos decisivos da política brasileira, encontra-se novamente no centro das atenções. Enquanto planeja sua pré-candidatura a uma vaga de deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026, Cunha teve R$ 6 milhões em bens bloqueados por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida judicial surge em meio a uma investigação por suspeita de desvio de emendas parlamentares, reacendendo debates sobre sua trajetória e futuro político.

A decisão do STF, datada de 6 de julho e divulgada no último domingo (12), adiciona uma camada de complexidade aos planos de retorno de Cunha. O político, que já enfrentou cassação de mandato e condenação anulada na Operação Lava Jato, busca agora uma nova oportunidade no cenário legislativo, escolhendo Minas Gerais como seu novo reduto eleitoral.

Bloqueio de Bens e Suspeitas de Desvio de Emendas

A determinação do ministro Flávio Dino impôs o bloqueio de R$ 6 milhões dos bens de Eduardo Cunha, em resposta a indícios de desvio de emendas parlamentares. A investigação aponta para a utilização de uma “cota informal de valores” que, segundo o próprio ex-deputado, era direcionada a Minas Gerais. Essa prática é questionável, visto que a prerrogativa de indicar emendas é exclusiva de parlamentares em exercício.

A apuração faz parte do mesmo inquérito que resultou no bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também por indicação irregular de emendas. A Polícia Federal (PF) identificou que Cunha teria se valido dos serviços de uma servidora da Câmara, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, para direcionar recursos conforme seus interesses. A Operação Transparência, deflagrada em dezembro passado, teve a funcionária como um dos alvos e embasou o pedido da PF que levou à decisão de Dino.

O Retorno de Eduardo Cunha à Cena Política

Apesar das recentes adversidades legais, Eduardo Cunha anunciou sua intenção de concorrer a uma cadeira de deputado federal por Minas Gerais em 2026. O ex-parlamentar justificou a escolha do estado, descrevendo-o como a “síntese do Brasil” devido à sua diversidade e localização estratégica, fazendo divisa com diversos outros estados.

Cunha, que atuou na Câmara por quatro mandatos consecutivos pelo Rio de Janeiro, entre 2003 e 2016, tentou sem sucesso retornar ao Congresso em 2022, quando disputou uma vaga por São Paulo e obteve 5.044 votos. Em contraste, sua filha, Dani Cunha, foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro no mesmo pleito, com 75,8 mil votos, e atualmente é filiada ao PL.

Trajetória Política e Desafios Legais Anteriores

A carreira política de Eduardo Cunha é marcada por momentos de grande projeção e intensas controvérsias. Ele ganhou destaque nacional ao presidir a Câmara dos Deputados entre fevereiro de 2015 e meados de 2016, período em que aceitou o pedido de abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Em 2016, Cunha teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar, após ser acusado de mentir à CPI da Petrobras sobre a titularidade de contas no exterior. No mesmo ano, foi preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato, sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Contudo, em 2023, o STF anulou sua condenação. Embora tenha sido declarado inelegível após a cassação, a Justiça suspendeu essa resolução, acolhendo o argumento de Cunha de que houve vícios no processo, com dados obtidos ilegalmente para embasar a acusação.

Conexões e Cenário Político Atual

A decisão do ministro Flávio Dino ressaltou que Eduardo Cunha nunca teve uma vinculação política formal com Minas Gerais, chegando a “simbolizar manter pouco apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução”. No entanto, Cunha tem buscado construir pontes no estado. Em junho passado, ele se encontrou com o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, em Belo Horizonte. Durante o encontro, Flávio Bolsonaro concedeu uma entrevista a uma rádio ligada a Cunha, abordando temas como carga tributária, empreendedorismo e programas sociais.

O G1 Política, veículo que divulgou a notícia, tentou contato com o ex-deputado para obter um posicionamento sobre o bloqueio de bens e a investigação, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. A situação de Cunha, portanto, permanece em aberto, com seus planos políticos para 2026 sob o escrutínio da justiça e da opinião pública.

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